quarta-feira, dezembro 06, 2006

SER E SABER SER POLÍTICO 1

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Esclarecimento

Para prevenir a hipótese de não ter sido muito claro no meu anterior post e, por isso, o consequente receio de poder ser mal interpretado, quanto ao objectivo pretendido, vou retomar o tema do título, reabrindo-o, exactamente, com o termo chave, “altivez” , inserto na passagem que transcrevo:

- “Às constantes provocações de seus agressivos antagonistas, a personalidade forte, defende-se com o escudo de sua altivez. Não cai na asneira de usar arma idêntica de arremesso.”

Altivez , que no caso concreto, a nível local , em que o presumível leitor pode pensar que me refiro, seria justo interpretar como soberba; arrogância; intolerância e, daí, concluir-se não ser, o termo, atributo da entidade provocada, mas sim do sujeito provocador . Realmente, assumir a posição de inalterável arrogância de “ quero, posso e mando”, é absolutamente condenável em democracia, uma provocação para quem tem o legítimado direito de ser ouvido em todos os actos ou projectos de interesse da comunidade. A afirmação das posições opostas faz-se pela prevalência da argumentação, em diálogo vivo, mas de respeito pela personalidade do adversário, em alternância de ideias ou pontos de vista, não como inimigo.

Altivez, no sentido em que empreguei o termo e numa perspectiva virtual , de abstracção, meramente pedagógica, significaria: elevação; brio; orgulho; majestade; nobreza .

Assim, fica concretamente esclarecido que, repito, “às constantes provocações de seus agressivos antagonistas, a personalidade forte, defende-se com o escudo de sua altivez . Não deveria cair na asneira de usar arma idêntica de arremesso.

2 comentários:

rouxinol de Bernardim disse...

Caro professor:

Permita-me que concorde, mas que discorde também.

Se um dia for mordido por uma matilha de canídeos de que lhe servirá a altivez?

É óbvio que, na essência, concordo consigo. Quando a linguagem é "entre humanos", sim, impera a altivez (couraça da indiferença e do desprezo).

Quando os "humanos" surgem travestidos, há que usar outra linguagem, enfim, o chicote da catilinária...

Enfim, dir-se-ia que o mar nem sempre bate na rocha da mesma maneira. Ele há o "Mar de Maio" (bonançoso, tranquilo, pedagógico até) e o "Mar de Dezembro" (mar-cão, mar-tinhoso!), daí as diversas posturas que se deverá assumir...

Dimas Maio disse...

Caro Rouxinol de Bernardim:

Muito me agrada o seu comentário.
Antes de mais, consultando o seu admirável blog, reparei na sua cultura humanista, mais concretamente, no seu humanismo literário.
Só que, aqui, o doce canto do rouxinol da "menina e moça" não se coaduna com o violento discurso de Cícero contra catilina.
Mas tem razão.
No entanto, eu sempre digo, que, desse modo, a presa cai na cilada do caçador que solta a "matilha de canídeos" que a abocanham e a sua "morte" é certa.