sábado, novembro 04, 2006

COM A CANDEIA DE DEMÓSTENES À PROCURA DE UM HOMEM

A propósito da imagem e o que ela confirma do comportamento de certos políticos, ocorre-me a metáfora da “candeia de Demóstenes” :

Demóstenes, grande orador e político grego, de candeia acesa pelas ruas de Atenas, procurava, em vão, um homem...

A figura que aqui se vê, a um nível inferior e sorrindo para agradar à que aparece sobranceira e condescende em estender-lhe a mão, não tem, com toda a certeza, a mínima semelhança com a estatura moral do homem que o filósofo, debalde, buscava .

Pode dizer-se que ambos se cumprimentam reconhecendo-se mutuamente pela baixeza da sua dignidade. Sim, o mínimo que me permito censurar é a sua falta de amor próprio. As suas consciências moldam-se e acertam-se pelas conveniências políticas, em tempos oportunos, para ambos.

O senhor, o de maior estrutura física, na sua entrevista pela jornalista Judite de Sousa e, reiteradamente, em público, sempre que questionado, diz serem mentira todas afirmações de desconsideração que proferiu acerca do Continente. Nega o que tem sido por demais evidente, inclusive a chantagem da ameaça da independência. Agora diz: “amo a minha pátria que é Portugal” ; “lutando pela Madeira, sou português a querer o melhor para o meu país” . É mais ou menos com isto que, em substância, se afirma “o grande patriota”

Do outro, do baixinho, o menos de que se pode falar e é por demais suficiente, é a sua falta de brio da sua postura submissa, a tocar as raias da humilhação.
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O cúmulo do ridículo, é que, por último, os papeis parecem inverterem-se: o maior, o que tinha desprezado o mais pequenino, promete a este que se ele, "grande amigo", for primeiro ministro, como augura, estando reformado da política, se prestará a ser o seu motorista.
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Sendo assim, com o descrédito deste exemplo, Demóstenes, hoje, de candeia acesa pelo caminho da política , encontraria um homem ?
Nestas tristes figuras, não, com certeza !

2 comentários:

rouxinol de Bernardim disse...

Delapidação ou lapidação?

Excelente post, professor Dimas Maio. Não sei como é que MM se prestou a este papel tão servil que só o compromete e rebaixa!!!... se é possível ainda mais...

Mas há sempre alguém que insiste em ser um factotum do soba da Madeira.

Uma amiga minha (Teresa de Jesus) fez um poema sobre este tema. Com a sua permissão aqui lho envio para análise e eventuais correcções... se for caso disso...

A Madeira, à tripa forra
Não quer apertar o cinto
O défice é uma porra
Vai haver porra, já sinto!

Marques Mendes apupado
Então, no Chão da Lagoa,
Agora, apaparicado
Já é tão boa pessoa...

O sino toca a rebate
Já soa a grande alarmismo
Marques Mendes... calafate!
No barco do... DERROTISMO!!!

Foi gastar até fartar!...
Pura delapidação...
E se o povo se lembrar
De fazer lapidação?!!!

Teresa de Jesus

Dimas Maio disse...

Muito obrigado pela cantiga de sua amiga Teresa de Jesus !
Quem sou eu, para me permitir corrigir uma tão engraçada e mordaz poesia ?
É satírica popular ; quadras de versos em redondilha maior (heptassílabos de métrica perfeita)