segunda-feira, junho 25, 2007

F R A N C I S C O . S A L G A D O

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Este é o meu amigo Francisco Salgado, recortado de sua moldura social :
Dr. Francisco Salgado, licenciado em Filologia Românica, inspector pedagógico, retirado de suas funções, faz alguns anos, para restauro.
Recebi, de sua parte, por e-mail, belíssimas composições poéticas que, com a sua autorização, publico no meu blog "FLORES DE MAIO". (clique no link respectivo).
É uma óptima oportunidade para reactivar aquele blog, destinado à cultura literária, de que não me ocupo desde Setembro do ano passado.
Eu sabio-o de alma poética, mas confesso que ignorava o seu talento.
Eis os títulos das suas pequenas composições poéticas :
QUADRAS SANJOANINAS
VÁRIOS I - Sacrário ; Mater admirábilis.
VÁRIOS II - Maresia ; Baixa-mar; Pôr do Sol.
VÁRIOS III - Passos na Areia; Natal; Somos cinco irmãos.
VÁRIOS IV - Mar da Póvoa
DESMORONAMENTO - para mim ,é um deslumbramento metafórico, este rico poema

segunda-feira, junho 04, 2007

"O PROCESSO DISCIPLINAR DO PROFESSOR CHARRUA"

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ANOTAÇÕES

“Aquele caso é grave, pela clima de delação e delito de opinião” disparou Marques Mendes, que lançou o desafio a Sócrates : Ou é consequente e demita a directora regional, ou é conivente e pactua com a situação.”

“Não intervenho em processos disciplinares, mas está cá o Governo para garantir que ninguém será punido por delito de opinião” , garantiu José Sócrates “


“Fernando Charrua foi saneado do serviço em que estava há muitos anos e voltou à escola de origem” acrescentou Emídio Guerreiro, também social – democrata. “ Há um processo político que tem responsabilidades políticas e o PS está a ser cúmplice neste processo, acusou .

Em defesa do PS, João Bernardo acabou por fazer uma revelação : “Não á nenhuma suspensão preventiva do professor; se houve, foi cancelada. Se houve recurso, já não há.”
O que houve, prosseguiu, foi uma reavaliação da confiança política que fundamenta a requisição de serviço feita anualmente. “ O professor está na sua função de origem, não há qualquer sanção.
Também ontem, no lançamento de um livro sobre a sua campanha presidencial, o deputado socialista Manuel Alegre criticou a suspensão de Fernando Charrua.

O presidente da distrital do PS-Porto, o deputado Renato Sampaio, disse ontem à Lusa que o professor Fernando Charrua insultou o primeiro-ministro , José Sócrates , “ em vários momentos e em diferentes locais públicos da DREN”. Fernando Charrua foi suspenso pela Direcção Regional de Educação do Norte (DREN). “ O que se passou não é aquilo que se pretende fazer crer como um simples comentário privado. Foram insultos em vários momentos e em diferentes locais públicos da DREN, pelo que sabemos” ,disse Renato Sampaio. O líder do PS - Porto acusou ainda Charrua de “querer condicionar o resultado do inquérito através do recurso à comunicação social” . “ Conhecemos as relações política e pessoais do professor Charrua, mas nós no PS não recebemos lições de ninguém “ , referiu o presidente da distrital socialista, numa alusão ao facto de o professor suspenso pela DREN ser ex-deputado do PSD e marido da vereadora da social-democrata na Câmara do Porto Matilde Alves
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Desde início que venho a acompanhar , quer pela televisão quer pelos jornais, tudo que se afirma, nega ou comenta acerca do processo disciplinar a que está a ser sujeito o professor Charrua. Traslado acima excertos da comunicação recente a esse respeito.

Afirmo-me como um socialista convicto. Não deixo, porém, de assumir uma posição crítica face aos actos dos responsáveis pela governação deste país que é de todos os portugueses. Por isso mesmo e por outro lado, não me deixo embarcar nas intencionais malévolas acusações dos adversários que, não encontrando fundamento válido para arguir quem os vence, pela inteligência e corajosa honestidade, na procura das melhores soluções para a crise de que felizmente o país está a emergir, rebaixam-se na intriga anedótica, mesquinha pela natureza de seus utilizadores.
Mais que esfarrapada pelo uso, já era reles a maledicência acerca da licenciatura de José Sócrates para merecer a mínima atenção de quem pauta a sua vida profissional pelo melhor desempenho do cargo que ocupa. Estou de acordo que, de Charrua a chalaça, já não mereceria a sua desgraça !
Porém, a queixa em que a Directora da DREN se baseou para o processo disciplinar, assenta nos repetidos insultos ao Primeiro Ministro, di-lo o deputado Renato Sampaio. E, por minha parte, confirmo-o: pelo que li nos jornais e ouvi na TV, o “Instrumento da Lavra” intitulou Sócrates de "filho da puta". Aguarde-se o resultado do processo.
Inteligentemente , como é de seu timbre, Sócrates, instado pelos jornalistas, declarou: “ninguém será punido pelo delito de opinião
.Os jornalistas esperavam que ele não os desapontasse, assumindo a "injustiça" do processo, face ao que o chalaceador agora declara ter dito. Sócrates sabe que não é esse o caso e , não se duvide que está senhor do verdadeiro motivo da acusação.
Esperemos pelo oportuno desvendar do segredo do processo para o confirmar.

terça-feira, maio 22, 2007

ABANDONO DE AVER-O-MAR, EM IMAGENS II


O “Rouxinol de Bernardim” fez um comentário no meu anterior post (clique aí,coments) em que, amavelmente, me censura por me referir a Aver-o-Mar como um “musseque da Póvoa de Varzim”. Mas sente-se que, intimamente, reconhece a minha revolta já que diz, em sentenciosos versos como é de seu timbre e com talento :
“ Averomar … vê o mar/ Na linha do horizonte,/A Vila ´inda há-de chegar/ Quando o povo derrubar/ Esta vil “Póvoa do Monte”
Aqui está implícita a ideia de que, na cidade, há obras desnecessárias em manifesto detrimento daquelas outras , há tempos para aqui projectadas que, se executadas, levariam ao cume o interesse turístico desta terra onde o “canto da sereia” atrai ao encanto das deslumbrantes praias para norte, até à majestosa penedia de Santo André. Ali há uma linda pousada.
Foi abandonado o projecto porque, erradamente pensou o mandarim, não lhe daria a relevância pessoal e a majestade a que se curvam os seus aduladores.
Já se viu que a tal obra, referida em tempo de eleições, era “intervenção fantástica”, mas por que não, ao menos, se demolem as ruínas que tanto desfeiam o ambiente e provocam a indignação das pessoas civilizadas que, para estes lados, habitam.
É exemplo flagrante do desprezo a que estes locais são votados, as ruínas que a imagem mostra : ficam na “praia da Amorosa”; trata-se dum pequeno edifício que foi o posto da guarda fiscal há muito tempo; é pertença da Câmara Municipal; a despesa seria apenas a que importaria a sua demolição.
Não se pode crer noutro motivo para esta má vontade que não seja alguma reservada represália . Quem a terá merecido ?...

sexta-feira, maio 04, 2007

. ABANDONO DE AVER-O-MAR, EM IMAGENS

Se uma imagem vale mais que mil palavras, atente-se no que estas ruínas significam para quem, civilizado, com elas se depara, na rota marginal para o norte da bela e esmeradamente cuidada, cidade da Póvoa de Varzim, onde se situa, abandonada ao desmazelo, aquela outra povoação que intitulam de vila Aver-o-Mar. Aquelas degradações estabelecem um clamoroso contraste entre as paisagens contíguas e provocam, nos visitantes a esta freguesia, uma reacção negativa que os levará, necessariamente, à depreciação deste espaço e às gentes que nele habitam.
(clique sobre a imagem)
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Aver-o-Mar poderá, assim, ser considerada um musseque da Póvoa e os seus habitantes não se sentirão minimamente confortáveis quando se obrigam a admitir que essa ideia terá toda legitimidade, face ao degradante cenário que os envolve.
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Porque a decadência visível não se limita ao mau aspecto destas ruínas. Veja-se o abandono das poucas árvores que, à margem da Avenida dos Pescadores, ainda se enraízam num chão duramente calcado; algumas, destas estão, desde há muito
tempo, partidas ou derrubadas, .
Que eu constate, não há jardineiros em Aver-o-Mar. Em contraste, verifica-se , deles, um grande exército na cidade da Póvoa de Varzim.
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Há um campo de futebol de terra batida mesmo à borda da estrada. Nuvens de pó se levantam e evadem as habitações vizinhas, sempre que aquele desporto ali se pratica .
Muito tempo, também, se passa sem que para estes lados se veja um varredor das ruas.

Esta freguesia, a mais populosa do concelho, tem uma forte razão para reclamar os seus legítimos direitos. Atente-se nos valores daqui arrecadados pela Câmara Municipal. Cite-se tão-somente o “IMI” ( imposto municipal sobre imóveis). Serão centenas de milhar de contos. Para mim, modesto proprietário, pelo que pago, é só fazer as contas !.
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Muito mais terei eu que dizer em abono do protesto que aqui e agora, para começo, deixo registado.
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E a oposição, quando deixará de se limitar ao espaço da sede do concelho para dar testemunho da sua garantia de uma boa alternativa a esta demagógica Autarquia que se sustenta por promessas, para estes lados, de “obras fantásticas” ?

sexta-feira, abril 20, 2007

´. . . INDIGNIDADES POLÍTICAS IV

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Não me é já possível aceitar como uma mera “indignidade política” a estupidez da perseguição ao nosso Primeiro Ministro.
Uso o título apenas para dar uma sequência à denúncia dos disparates que se cometem a troco de uma pretendida relevância pública daqueles que sabem não a poderem alcançar pela diminuta inteligência de que são dotados. A estupidez dos detractores é assim aliada da sua baixa dignidade. Mesquinhez de carácter, é outro atributo de que será muito justo apodar aqueles que, à falha de mentalidade para se ocuparem dos problemas sérios do país, perseguem quem inteligentemente prossegue seu trabalho denodado afrontando as más crenças e os desafios de que sempre tem saído vitorioso.
Por isso, os ataques de má fé, farejando no rasto da virtual ou imaginária presa, na tentativa de a abocanharem. Não surtem, porém, efeito os latidos raivosos que são entendidos como manifestação da incapacidade de satisfazerem os seus matreiros intentos.

Desvirtuar a imagem pulítica de Sócrates, com referências aleivosas sobre a sua conduta pessoal, o seu percurso de estudante, mormente sobre a sua frequência na UNI, insinuando favorecimentos ou fraudes na obtenção da licenciatura de engenharia civil, não têm objectivo outro que não seja destruir-lhe o bom nome, a notoriedade da sua acção, como um político inteligente e resoluto de que o país tanto tem precisado para emergir do charco em que aqueles que ora atacam o tiveram afundado.
É notório o desespero daqueles que sofrem, despeitados, por verem , a cada passo, aumentar o apreço em que os portugueses têm, hoje, o governo da sua nau confiada ao leme do grande Sócrates.

Em dada oportunidade, Mário Soares dirigindo-se a Sócrates: “ Continue com a determinação, a inteligência e a coragem que demonstrou nos dois últimos anos. Outros antes de si foram vítimas de ataques sórdidos e infundados. Lembremos o camarada Ferro Rodrigues…” ´
Será possível melhor esclarecimento e apoio ?

mardemaio. blogspot.com

sexta-feira, abril 13, 2007

. . . INDIGNIDADES POLÍTICAS III



o mendinho"

Ele é ainda tão pequenino !... Sabemos que ele é levado; tem feito muitas traquinices, louvado seja Nosso Senhor! Mas, as maiores maldades, são os adultos que lhas ensinam Mandaram-no ser malcriado e referir-se insultuosamente ao senhor Primeiro Ministro em público, porque, como é menor de idade, não é imputável. Noutros tempos, levaria umas surras de pessoas de juízo. Porém, no ambiente em que ele está a crescer acharam-lhe muita gracinha e levou palminhas em vez de palmadas. Assim jamais terá oportunidade de formar a sua personalidade independente.

Pretende ser um político à maneira e está a receber uma educação para deslizar nesse declive . Realmente é muito mais fácil a progressão na descida. A política em que ele medra ( a metátese não seria inadequada ) está a levá-lo à baixeza, agora se constata, em que a língua viperina é arma mais utilizada para ferir o grande adversário Sócrates, que o é, apenas pelo denodo que põe na sua luta intensa; pelo trabalho exaustivo a que se entrega para levar a bom porto o nosso atribulado barco. Terá de navegar de bolina porque os ventos sopram de proa.

Tenhamos fé no timoneiro que não se “deixará fragilizar” pelas tempestades sopradas pelo Adamastor de nossos tempos. Este é um monstro mais perigoso porque, traiçoeiro, o vento que bufa é de gás que envenena os espíritos incautos; é a insídia da ocasião oportuna para tentar desmoralizar a tripulação e, desacreditando o timoneiro, provocar a revolta dos passageiros.
Acreditemos que a manobra do mostrengo não surtirá efeito porque, as pessoas avisadas, unir-se-ão em solidariedade socrática e vencê-lo-ão de morte .
dimasmaio@netcabo.pt
. mardemaio.blogspot.com

terça-feira, abril 03, 2007

. . . INDIGNIDADES POLÍTICAS II

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O título que utilizei no meu texto anterior foi o estímulo à minha memória para contar aqui, em termos de conversa amena, um caso que, julgo, se insere neste mesmo tema porquanto revela o desplante de que são capazes políticos cuja ciência maquiavélica subjuga tudo quanto lhes possa emperrar a ascensão para o pináculo que determinaram alcançar.
Convém referir que, são remotos, o tempo e o espaço da narração.
Contudo, os heróis existem ainda e continuam numa situação confortável de domínio do poder .
Eram eles, então, um presidente e dois vice-presidentes. Diziam-se solidários e agiam de conformidade contra os seus virtuais opositores.
Acontece que os três tinham em grande conta um quarto senhor que laborava em seus domínios e a sua própria ambição combinava perfeitamente com os desígnios daqueles outros que, por isso, solidariamente, resolveram elevá-lo à categoria de director de uma empresa situada no espaço da sua administração.
Para tal combinaram, os três, um golpe que Nicolau Maquiavel teoricamente louvaria no seu “Príncipe” porque, entenda-se , era o interesse geral do reino prevalecendo sobre os seus interesses individuais.
A manobra, porém, não resultou porque alguém a denunciou por absolutamente imoral e à margem da lei.
Mas, condenado foi apenas aquele que tomou a seu cargo a concretização do plano elaborado, supõe-se, também pelos outros dois responsáveis. Estes desviaram-se da culpa porque , coincidente foi a sua ausência para longínquas estâncias na altura de pretensa regularização do acto da nomeação do indigitado director para a referida empresa.
Completamente desprotegido aquele que deu a cara, sofreu o ultraje de ter de abandonar o cargo de delegado político que honrosamente ocupava, tomado, sem perda de tempo, pelo outro seu colega da vice-presidência da administração local .
E assim, se revelou, a inquebrável solidariedade daqueles políticos, merecedores, por isso, de serem nomeados nestas : “INDIGNIDADES POLÍTICAS

sexta-feira, março 23, 2007

. . . INDIGNIDADES POLÍTICAS


INDIGNIDADES POLÍTICAS .

Sim, indignidades políticas, penso que é o título que se ajusta perfeitamente para encimar este texto em que me ocuparei a comentar o comportamento de determinados actores, iluminados pelas luzes da ribalta, da cena onde se promovem modernos espectáculos de “provocação ao público”
São actores, personagens da cena política, não entidades distintas da sociedade em que naturalmente se farão respeitar pelas suas qualidades intrínsecas. Quero, com isto, dizer que, frequentemente, a representação a que integralmente (?) se dedicam lhes pode causar deformação do comportamento natural, quando não dotados de uma personalidade forte, de carácter incorruptível , impoluto, a todos os títulos, íntegro.
Esta diferença de ser e agir naquela situação de político foi, há tempos, comprovadamente aceite na A.R. quando determinado interveniente, em altercação com outro , se referiu à “sua cobardia”; ao coro de espanto, o primeiro emendou imediatamente para : “cobardia política”. Ficou assim dada e aceite a devida satisfação, ao que se tinha considerado como ofendido.
Cobardias politicas, pois, se constatam a todo o instante.
A vergonhosos actos de absoluta falta de pundonor, de descrédito moral, se deixa arrastar um partido cujos elementos se agridem e insultam em público por motivo da disputa, reciprocamente nada leal, de dois de seus destacados membros, pelo lugar de presidente.

Tem-se evidenciado também pela sua falta de dignidade política um outro cuja pequenez se revela em todas as facetas em que se pretenda considerá-lo. Mentalmente se tem revelado muito abaixo da bitola minimamente aceitável para o desempenho do cargo que o fizeram ocupar. Esganiça-se, em vão, para que oiçam os argumentos que, estou convencido, outros do seu clube, maldosamente, lhe sugerem que ostente na A.R. para contestar as actividades do governo. E sempre sai ridiculamente derrotado pela prova em contrário apresentada pelo ministro competente .
Ainda agora, quando o Primeiro Ministro pretendia, muito legitimamente, em nome do Governo, informar e se congratular, perante os portugueses, por ter alcançado e até ultrapassado o seu objectivo da redução do défice orçamental da meta a si próprio imposta, eis que o "mendinho da direita", a desconcerto, todo se emproa para apresentar o "problema" do aeroporto da Ota, insinuando a agravante do favorecimento, pelo Governo, dos proprietários dos terrenos confinados.
Deste enxovalho, partido da pequenez dum mendinho, contra a probidade do grande Sócrates, só poderia provocar da parte deste a reacção que se lhe vê estampada na imagem: com o seu indicador a ameaçar o "mendinho". - "Não lhe admito isso !"

terça-feira, fevereiro 27, 2007

ESMERALDA - A (IN)JUSTIÇA DOS TRIBUNAIS

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DURA LEX, SED LEX …

A Lei é implacável na aplicação rigorosa dos seus princípios de objectividade e generalidade; contudo pode depender do julgador a sua interpretação, em cada caso, sem lhe desvirtuar aqueles atributos.

Quero dizer que a justiça não pode ser estúpida e cruel , faltando à razão e à humanidade por deficiente ou cego entendimento das causas com a consequente denúncia e condenação de um crime, sem fundamento seguro e incontestável da sua existência.

É o caso do “sequestro” da pequenina Esmeralda que tenho em mente .

Analisando com a frieza racional não se vê como pode haver sequestro da criança que foi entregue pela sua mãe, aos três meses de idade, ao casal que a acolheu e a criou até aos 5 anos, sua idade actual. Sequestro, para o comum dos mortais, pressupõe alguma violência psicológica e privação de liberdade da sequestrada por acção do sequestrador. Ora o sargento, pai adoptivo da Esmeralda, foi condenado com a pena de 6 anos de prisão, pela acusação do crime de sequestro por se negar a apresentar ao tribunal a que considera sua filha adoptiva , o que se torna algo diferente.

Por outro lado e ainda considerando a análise puramente racional, como pode apresentar-se a reclamar os direitos de pai da criança, um homem que apenas provocou acidentalmente a fecundação sem outro motivo que não fora o de mero prazer sexual, com uma mulher desprotegida por uma vida inteiramente carenciada de conforto físico e moral ? Acresce a circunstância de, ainda durante a gestão, com o sentido da vida amargurada, com a dor da antevisão da miséria a que seria lançado o seu bebé , procurou aquele homem para que se assumisse como corresponsável pela sua criação, ao que ele peremptoriamente se negou, acusando-a de lhe “querer estragar a vida”.
Foi nestas circunstâncias que, imagina-se, com a dor no coração, a desafortunada mulher encontrou o suave recurso da entrega do ser que em seu ventre gerou, ao casal que até hoje o tem e o ama como seu autêntico rebento.

Considerando agora a vertente moral; analisando o aspecto humano da questão, reflita-se, a esta luz, sobre os direitos dos contendores do conflito:
AMOR, com todo o sentido do termo preenchido, é o sentimento mais profundo que sobressai e domina verdadeiramente a contenda.
Vejamos : a mãe, sentindo a dor de não poder criar o ser que gerou em seu ventre, é por amor que se sacrifica à separação e o entrega a um casal que tem todas as condições e dá garantias de lhe proporcionar uma vida feliz .
Essa confiança vem a confirmar-se, pelo sacrifício do sargento, o pai adoptivo, que prefere sujeitar-se à prisão a ter de entregar a sua filha. Isto é a suprema renúncia ao seu conforto pessoal, é a abnegação sublime em favor do ser para quem está disposto a inteiramente viver.
E o tribunal, será que não atenta na (in)justiça de considerar a criança como um mero objecto em disputa? Onde se vê a máxima consagrada do superior interesse da criança ?

quarta-feira, janeiro 17, 2007

REFERENDO SOBRE A DESPENALIZAÇÃO DO ABORTO

O aborto é crime ? .

Julgo que há uma grande confusão acerca do referendo, sobre o votar sim ou não para a despenalização da IVG . Estou mesmo convencido que muita gente pensa que se trata de liberalizar, senão mesmo, preconizar o acto , não importa em que situações a grávida o deseje. E há muita hipocrisia a pretender sustentar este equívoco. Falaciosamente generaliza-se o que se pretende particular ou acidental .

A consulta posta ao povo esclarecerá objectivamente as situações em que a Lei não condenará a mulher que não vê alternativa para a dor de ter de se sujeitar a um acto de mutilação do seu próprio ser . Porventura, poder-se-á pensar que a infeliz não tem consciência do mal que a si própria causa? Será justo que ainda mais a humilhem com a exposição pública da sua “imoralidade” ?

Por princípio, a Lei é amoral. O acto imoral, nem sempre é crime. O religioso pode considerá-lo um pecado, mas não tem o direito de exigir ao secular que o puna com a vara da justiça .

Por outro lado, a hipocrisia excede-se na enormidade de declarar o aborto como um “acto terrorista” ou o absurdo da semelhança à imagem do enforcamento de “Saddam Hussein”

É de ciência generalizada que o aborto sempre se praticou e continuará a praticar, mesmo por quem hipocritamente se diz contra; só com a diferença de que, enquanto as ricas o fazem em clínicas luxuosas, até no estrangeiro, as pobres se sujeitam a fazê-lo, clandestinamente, em qualquer tugúrio, muitas vezes, sem as mínimas condições de sanidade, assistidas por curiosas que, frequentemente, lhes causam danos irreparáveis.

Finalmente, esclarece-se que o que está em causa não é se se é a favor ou contra o aborto, mas a favor ou contra a despenalização da interrupção voluntária da gravidez (IVG) até às dez semanas, em estabelecimento de saúde para tal autorizado.
E para quem propala “o direito à vida”, os cientistas de todo o mundo civilizado não reconheceram a existência de vida humana até às 10 semanas de gravidez.

quarta-feira, janeiro 03, 2007

UM DEMOCRATA EM CLIMA ADVERSO

A estátua do Major Mota foi reinstalada, após o seu novo derrube, desta feita, parece que, por canalhice. É esta uma oportunidade para reeditar o meu texto publicado no jornal “Comércio da Póvoa” por ocasião do seu centenário, documentando a homenagem pessoal ao homem valioso por quem a minha memória regista, para todo o sempre, a enorme gratidão pela sua valorosa e sincera amizade

Major Mota
- a minha homenagem -

Aquando do derrube da estátua deste Poveiro de Coração eu e, estou certo, muitos do meu tempo que tiveram a felicidade de usufruir dos benefícios da sua amizade, houvera aquele nefando acto de nos afrontar a alma e nos provocar uma ingente sede de justiça e de desagravo à sua memória.
Seria acção gratuita de puro vandalismo? Sou mais propenso a pensar que se tratou de feito sectário, de fanáticos que julgam mais os homens pelas ideias do que pelos seus actos. E eles dizem-se democratas ,diversificados por opções políticas de direita, do centro ou de esquerda, prontos a propalarem a justiça e o respeito pelos direitos dos cidadãos. E mentem, muitos que conheço, porque faltam aos mais elementares deveres sociais. A liberdade democrática é só para eles, negando os mesmas prerrogativas aos que lhe são próximos.

Democracia (do grego: democratia) significa poder ou governo do povo e democrático é o partidário desse governo. Mas, com alguma subtileza, confesso, atrevo-me a diferenciar o termo democrata para denotar a pessoa que sendo do povo vive e trabalha para o bem do povo. Se tem algum poder ou autoridade, não a impõe com arrogância, antes fá -la aceitar pela Comunidade com a dedicação e serviço que lhe presta com o maior empenho e rectidão e usa a sua influência para lhe solucionar os problemas, enquanto que "democrático" pode ser, tão-somente, um membro ou adepto desse partido.

O Major Mota era um cidadão integrado na política do seu tempo como a maior parte dos que transitaram e facilmente se adaptaram ao actual regime, embora alguns muito falsamente, como a toda a hora se constata.
Acontece, porém, que a indesmentível firmeza e honradez do seu carácter jamais permitiram a sua instrumentalização a favor daquilo que ele judiciosamente considerasse menos lícito ou lhe entravasse a acção em favor da sua e nossa comunidade. E só por essa razão teve de afrontar influências de protegidos situacionistas que haviam, a breve trecho, de implacavelmente lhe punir a ousadia e, com falso pretexto, o despacharam para Lisboa.

A sua estátua implantada à entrada da rua da Junqueira memoriza com rigor a sua inquebrantável pertinácia de, contra ventos e marés, levar avante a justeza do seu projecto de proibir ai a circulação de viaturas. Reservar aquela artéria, livre e segura, para movimento de pessoas, foi obra sua, mas um dos pecados que o conduziram ao "ostracismo".

Cabe aqui afirmar que a "União Nacional" partido único legal e suporte do regime, sentiu-se traído pelo filho rebelde que, reiteradamente, recusou cumprir “juro obedecer cegamente aos meus superiores", fórmula que então se era obrigado a clamar na tropa, aquando do "Juramento de Bandeira". (eu que fui soldado, tive de o fazer, embora sentisse rudemente o atentado à minha inteligência.)

Em consequência, a secção daquele partido na Póvoa de Varzim, todo poderoso, que, dentro do concelho, nomeava para os cargos políticos e outros, só aqueles que merecessem a confiança do regime e os destituía quando essa confiança era contrariada, "tramou",o termo é este, o Presidente da Câmara Municipal, Major Mota e despachou-o para Lisboa, para longe da família, a cumprir a penitência para o remir do pecado da não submissão incondicional às directivas do partido que tinha o monopólio do poder.

Este Homem era um democrata, porque amava a liberdade de pensar e agir e jamais perseguiu ou denunciou alguém hostil ao regime. Ele respeitava, com alguma afeição, o nosso saudoso Director, Manuel Agonia Frasco, inveterado e declarado opositor aos governos de Salazar e Caetano e este secular jornal foi o seu instrumento de luta.

Acusam-no de comandar a Legião Portuguesa. Grande crime esse!
Na Póvoa, a Legião Portuguesa era apenas uma moda, um aparato para os janotas que mandavam fazer as fardas à medida. Para os outros, para os que lutavam pela sua subsistência, ser filiado na Legião Portuguesa era a perspectiva de uma colocação, de um emprego na Função Pública. E então, era esse o dano que provocavam na Comunidade? Era essa a famigerada Legião Portuguesa, como foi dito por alguém?
Não eram p.i.d.e.(s) nem "bufos". Estes sim. Aquando da guerra civil de Espanha e nos anos subsequentes, se disseminavam e se dissimulavam pelos Cafés, por toda a parte, para espiar e escutar conversas de grupos e a sua baixeza moral era de tal ordem que denunciavam um amigo ou um membro da própria família. Nós, estudantes daquele tempo, dávamos fé de alguns cuja suspeita actividade se veio a confirmar mais tarde.

Naquela condição, o Major Mota estava à vontade e não era contrariado na sua acção em favor da terra que adoptou como sua. Seria até uma estratégia, não pensada mas intuída, que lhe dava alguma vantagem para vencer obstáculos que se lhe deparavam pela frente, como o caso da rua da Junqueira, que levou avante, embora saísse pessoalmente maltratado da contenda, como se viu.

Como Presidente da Câmara não auferia quaisquer proventos não obstante o apego que tinha ao trabalho a ponto de, por vezes, não poder conter um desabafo, acusando-se aos amigos da falta de assistência à família. Nem as horas de refeição ele as podia consagrar inteiramente ao Lar.
Para além das horas de expediente e pela noite adentro, lá ficava o nosso Presidente António José da Mota, sozinho, no seu gabinete, a assegurar o serviço de sua competência e responsabilidade.
Era nessa ocasião que eu o visitava entrando na Câmara pela porta das traseiras, da rua Paulo Barreto e me recebia com a sua peculiar simpatia, pondo-me à vontade para lhe fazer algum pedido. O meu Amigo .sempre me atendeu, não tendo eu , pobre de mim, maneira de lhe retribuir.
A nossa amizade nasceu no tempo em que eu era filiado na milícia da Mocidade Portuguesa. Éramos bastantes os moços que gostávamos de marchar, com garbo, em formação, pelas ruas da vila de arma ao ombro ou exibirmo-nos nas solenidades da localidade ou nacionais, como sendo a procissão do Corpo de Deus ou o dia Primeiro de Dezembro. Tínhamos então dezasseis a dezoito anos. Não nos dávamos fé de nos integrarmos como elementos de propaganda do regímen fascista do "Estado Novo". Não conhecíamos termos comparativos de outras políticas. O que nos agradava era o bom ambiente proporcionado pela camaradagem que o então tenente Mota naturalmente sabia cultivar. À vontade conversávamos, divertíamo-nos, riamos e ele sabia ser tão moço como nós. A amizade recíproca entre os rapazes e o seu Condutor brotou assim, espontânea e sincera.
Para ilustrar esta asserção e do modo do proceder do nosso tenente Mota, passo a contar um episódio em que fui protagonista :

Não me lembro agora o motivo por que estávamos nós, os "milicianos", aglomerados à entrada da igreja da Misericórdia, do anteparo para a porta. Alguém do grupo se meteu a requestar uma colega estudante que por ali apareceu. Em dado momento o diálogo tornou-se um pouco rumoroso. Eu estava muito perto do par e o tenente Mota, confundido, admoestou-me, vivamente, pela "falta de respeito...pouca vergonha” – disse. Claro que eu, rebelde, rezinguei e afastei-me amuado.
Num dia de instrução próximo e já em formatura, o nosso tenente Mota, entretanto inteirado da minha inocência, perfilou-se na minha frente deu "a mão à palmatória" e, com voz entendida por todos, pediu-me desculpa.

Era assim este homem recto que corrigia a si próprio as injustiças involuntariamente praticadas. .
Mais, para prova da sua vertical personalidade, inflexível independência de espírito e humanidade, eu fui testemunha presente de outro facto que passo a narrar :

Este caso é, no tempo, muito posterior ao antecedente e era então o respeitável senhor António José da Mota já major e presidente da nossa Câmara Municipal. Acontece que, não me lembro agora a que titulo, bastante gente aguardava, na arcada dos Paços do Concelho, um alto dignitário do governo ( parece que o governador civil do Porto) e sua comitiva que foi recebida, como manda o protocolo, à entrada, pelo Presidente Major Mota. Entre o público assistente, encontrava-se o idoso e venerando José da Costa Novo, comandante honorário dos Bombeiros Voluntários da Póvoa de Varzim, por coincidência avô de minha mulher. No momento em que o séquito entrava no vestíbulo, o velho senhor que ensaiou segui-lo, tropeçou num degrau, caiu e ficou prostrado no solo. Acto continuo o Major Mota, presidente da Câmara, abandona a comitiva e acode a levantar o seu amigo. Entretanto, como se demorou a confortar o "comandante" - era assim que ele se dirigia ao Sr. Costa Novo - a comitiva retomou a subida da escadaria. Alguém lhe quis chamar a atenção para o facto ao que eu lhe ouvi responder, sem equívoco: "que se lixem, o que agora me importa é que o comandante fique bem".
Era assim este Homem!
Dimas de Castro Maio

Texto a publicar em "O Comércio da Póvoa de Varzim" por altura da celebração do seu centenário
( 3 - de Dezembro - 2003 )

quarta-feira, dezembro 20, 2006

IRONIA ESQUIZOFRÉNICA

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Aqui há tempos, ouvi, pela rádio, um médico, de elevada posição social, ditar um diagnóstico sobre determinadas entidades que, com certeza, não têm consciência da realidade do mundo em que vivem, não se dão conta que sofrem de “esquizofrenia”(disse ele). Os doentes que o clínico citou, um grupo de três , exemplares de uma vasta classe, intitulando-se "o Paciente Social" que, pelos vistos, se imaginam num mundo “fantástico”(termo muito em voga, hoje) em que tudo se ordena e resolve, pela prevalência do diálogo entre os elementos colaborantes, para o aclaramento e solução das questões de interesse público. Chamam a isso procedimento democrático.
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Dissequemos com o bisturi de cirurgião os pressupostos que o levaram aquela sentença:
- “são esquizofrénicos” !
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- O médico não é de competência psicológica e, actualmente, o seu múnus é, exclusivamente, de altíssima responsabilidade administrativa, merecendo a confiança de quase a totalidade de um povo que o elegeu, o que lhe vai muito bem com a sua eminente personalidade.
- Os indivíduos sentenciados pelo ex-facultativo, mostraram uma flagrante incoerência quando contestaram o aumento proposto das tarifas de recolha do lixo e das facturas da água. Só por um desvio patológico de suas mentes, podem pensar que as emblemáticas obras em curso, merecedoras do seu pleno e entusiástico acordo, se poderão concluir sem algum sacrifício dos munícipes, aliás, por elementar justiça , os mais directamente beneficiados.
- Já basta termos de lamentar o incumprimento da tal “intervenção fantástica” nas praias de Aver-o-Mar. Mas, o senhor Presidente , em “ocasião oportuna”, declarou, solenemente, que fará tudo o que prometeu ainda dentro do seu mandato. Por indesmentível mérito próprio, a sua reeleição acontecerá sucessivamente, ad aeternum , mas ia poder jurar que a promessa é para satisfazer dentro da sua actual etapa. Deo gratias !
- Finalmente, só por uma questão de deformação profissional, o que acontece a muito boa gente, o ex-médico levou à conta de sintomas os elementos considerados e, vai daí, o diagnóstico:
- São esquizofrénicos !

quarta-feira, dezembro 13, 2006

B L O G O S F E R A

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"BLOGGER POVEIRO"

Blogosfera é o ciberespaço, espaço virtual constituído por informação que circula nas redes de computadores e telecomunicações. Cibernauta - pessoa que utiliza a Internet regularmente.

Daí, imaginar-se um universo, um cosmos, onde gravitam astros e asteróides com os cibernautas a tentarem a descolagem de suas órbitas , atraídos pela magia da descoberta de novos mundos e com eles estabelecerem comunicação.
Para além do encanto das ligações anulando distâncias e estabelecendo, sem peias, permuta e confronto de ideias entre os comunicadores, os usuários dos bloggers , há as relações humanas, de empatia, de solidariedade, que acontecem mesmo entre desconhecidos, exactamente favorecidas pela utilização dessa ferramenta universal

A criação do Blogger Poveiro (blogs e sites poveiros) é, neste capítulo, uma ideia sublime. Digamos que é um pequeno espaço de globalização, que facilita o conhecimento e a consulta dos diversos blogs nele alistados. Está, pois, de parabéns o seu criador.

Muito de lamentar seria se este espaço de eleição fosse conspurcado pela indecência, pela obscenidade que são, eles mesmos, alguns blogs anónimos. Espero bem que essa cobardia seja definitivamente afastada desta colecção que tem a promessa ou todas as garantias de sucesso.

quarta-feira, dezembro 06, 2006

SER E SABER SER POLÍTICO 1

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Esclarecimento

Para prevenir a hipótese de não ter sido muito claro no meu anterior post e, por isso, o consequente receio de poder ser mal interpretado, quanto ao objectivo pretendido, vou retomar o tema do título, reabrindo-o, exactamente, com o termo chave, “altivez” , inserto na passagem que transcrevo:

- “Às constantes provocações de seus agressivos antagonistas, a personalidade forte, defende-se com o escudo de sua altivez. Não cai na asneira de usar arma idêntica de arremesso.”

Altivez , que no caso concreto, a nível local , em que o presumível leitor pode pensar que me refiro, seria justo interpretar como soberba; arrogância; intolerância e, daí, concluir-se não ser, o termo, atributo da entidade provocada, mas sim do sujeito provocador . Realmente, assumir a posição de inalterável arrogância de “ quero, posso e mando”, é absolutamente condenável em democracia, uma provocação para quem tem o legítimado direito de ser ouvido em todos os actos ou projectos de interesse da comunidade. A afirmação das posições opostas faz-se pela prevalência da argumentação, em diálogo vivo, mas de respeito pela personalidade do adversário, em alternância de ideias ou pontos de vista, não como inimigo.

Altivez, no sentido em que empreguei o termo e numa perspectiva virtual , de abstracção, meramente pedagógica, significaria: elevação; brio; orgulho; majestade; nobreza .

Assim, fica concretamente esclarecido que, repito, “às constantes provocações de seus agressivos antagonistas, a personalidade forte, defende-se com o escudo de sua altivez . Não deveria cair na asneira de usar arma idêntica de arremesso.

domingo, dezembro 03, 2006

SER E SABER SER POLÍTICO

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Apenas uma pequena introdução para dizer que, o que a seguir exponho, não tem uma finalidade ou rumo pessoal concretamente definido mas, tão-somente, porque quero deixar aqui publicado o meu conceito sobre o tema que sintetizo no título acima . Esse é o meu isento e único objectivo.

Estar, hoje, na política tem as suas regras, nem sempre atinentes a uma boa formação moral.
Contudo há , felizmente ainda, quem não abdique da sua dignidade, da sua honradez de carácter, não obstante saber que, para alcançar e se manter em lugar politicamente relevante, não poderá, em frequentes situações, usar da frontalidade inerente à lisura do seu corrente e normal comportamento.
Não terá, necessariamente, de ser dissimulado, mas deverá saber acautelar-se, munindo-se de boas armas, para se defender daqueles que o são. Prevenir-se contra o fingimento, a astúcia, a manha de seus inimigos e, sobretudo, de falsos amigos ( nesta área é onde existem os maiores traidores), por pretensão do lugar que ocupa, ou por despeito e inveja de seu elevado prestígio social terá de ser a preocupação da personalidade moralmente sólida para não ter, por incauto, de se queixar de vitimização.
Às constantes provocações de seus agressivos antagonistas, a personalidade forte, defende-se com o escudo de sua altivez. Não cai na asneira de usar arma idêntica de arremesso. A cilada da tentação da resposta atá-lo-á, com os liames do descrédito, perante o cidadão informado que saberá distinguir e compensar a probidade do político que ele respeita e, por ventura, elegerá para um hipotético cargo público de responsabilidade política.

domingo, novembro 26, 2006

T A L A S S O T E R A P I A

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"Manuel Agonia investe em unidade de Talassoterapia em Aver-o-Mar"
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Sob este título, nos periódicos locais, foram prestadas informações pormenorizadas de que deduzi estar-se perante uma intervenção não fantástica, mas real, a curto prazo. Deve ser considerada como a mais vantajosa e promissora obra de valor turístico nesta vila, cujas praias têm uma aliciante beleza natural. São fascinantes e tentadoras do desfrute de seus admiradores. Estes são todos os que, com os olhos, têm o prazer de as mirarem, do ar tonificante respirarem, o regalo de nas suas límpidas águas mergulharem e sobre suas brancas areias poderem repousar
Ao reconhecer o interesse público do projecto , a Câmara municipal deu um forte impulso à sua concretização que estará agora apenas dependente do parecer das instituições estatais quanto ao seu potencial interesse Nacional (PIN)”
O projecto mereceu o elogio unânime dos vereadores socialistas e social-democratas”.

É de uma estância de saúde que se trata , mas para além da “estrutura de talassoterapia terá uma unidade hoteleira acoplada”.
Imagina-se a mais-valia para a Póvoa. Para além dos postos de trabalho que se criam pode imaginar-se um pólo de atracção, um núcleo a irradiar linhas de força para o desenvolvimento e expansão de outros focos de interesse público ou privado que se sustentem para além do veraneio.
Imaginativo e empreendedor é o empresário de cuja ousadia a grande Póvoa tem colhido benefícios. Haja em vista a meritória criação do grande estabelecimento hospitalar “Clipóvoa”. Apenas este exemplo para definir e confiar na acção do homem que jamais quer estar parado.
O nosso Município, com toda a justiça, propõe-se derrubar as barreiras burocráticas que possam impedir ou retardar a OBRA Confiemos no sucesso da sua intervenção que desejamos, desde já, aplaudir.

Diz-se que está prevista a instalação numa praia a que alguém resolveu denominar “praia das velas”. Estranho essa designação. Eu que, como pescador amador, vezes sem conta, de noite ou de dia, calcorreei todas as reentrâncias que a imagem mostra, desconheço tal praia. Será que quereriam dizer “praia das canas” , também chamada “praia da caninha”, muito próxima do “cabo de carreira” dos penedos de Santo André ?
Pois, ali, naquele areal, ao abrigo daquela penedia que vai pelo mar dentro, o majestoso trono de Neptuno, ali, naquele amplo espaço onde, na imagem, se divisa o valo verde de chorões, é que ficaria bem implantada a talassoterapia e o edifício do hotel.

domingo, novembro 19, 2006

A PROMETIDA "INTERVENÇÃO FANTÁSTICA " EM AVER-O-MAR

belas ruinas - "grande atracção turística nas praias" - Aver-o-Mar

O fantástico não se vê. Isto sim , é o real ! É piramidal! É tão antigo como as pirâmides do Egipto ! Tem o mesmo valor histórico ! Não se meta, aqui, o "camartelo do progresso". Se o fizerem, os averomarenses clamarão contra a barbária!

sábado, novembro 18, 2006

. . .MEU CONCEITO DE CRÍTICA

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Ainda a propósito da “Candeia de Demóstenes”, ocorre-me a referência à reacção de determinados políticos da nossa proximidade face à critica a que, pelos seus cargos de responsabilidade social, estão naturalmente sujeitos.

Se a apreciação pública que deles se faz lhes é manifestamente elogiosa, imagina-se que ficam ufanos mas, fazem questão de se mostrarem superiores, não reparando nos agentes ou autores do elogio: estes, nem em bicos de pés, ficam à altura do seu pedestal. A sua cabeça, laureada pelos louvaminheiros, não admite que possa haver alguém que, assim como os enaltece por actos ou comportamentos meritórios, use da mesma honestidade e isenção para os censurar pelas acções ou actividades consideradas menos ajustadas a personalidades que, por princípio, se obrigam a bem servir a comunidade que, da sua empenhada acção, legitimamente, espera justos benefícios .

Fazer crítica não é, necessariamente, dizer mal, como vulgarmente se entende; dizer bem, também não é, reversamente, louvaminhar como, lamentavelmente, o fazem os aduladores, tão do agrado, e merecendo favores, dos adulados.

Em suma, crítica, de meu senso, não será, nunca, maledicência por (des)prazer ou má vontade contra quem, hipoteticamente, não mereça simpatia do autor.

Criticar comportamentos, acções ou obras de entidades políticas, na área de sua responsabilidade, não é assim tão simples como poderá parecer ao cidadão pouco ou mal informado. Este objectivo carece de plena isenção e honestidade do agente crítico que, ainda por imperativo de credibilidade , deverá valer-se de uma argumentação sólida para, categoricamente afirmar o seu parecer .

Este é o conceito de crítica de que eu, aqui, declaro firmemente comungar .
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Veja-se, em arquivo de Setembro, o post : "ELOGIO / BAJULAÇÃO. - .AUTO-ESTIMA / VAIDADE"

sábado, novembro 04, 2006

COM A CANDEIA DE DEMÓSTENES À PROCURA DE UM HOMEM

A propósito da imagem e o que ela confirma do comportamento de certos políticos, ocorre-me a metáfora da “candeia de Demóstenes” :

Demóstenes, grande orador e político grego, de candeia acesa pelas ruas de Atenas, procurava, em vão, um homem...

A figura que aqui se vê, a um nível inferior e sorrindo para agradar à que aparece sobranceira e condescende em estender-lhe a mão, não tem, com toda a certeza, a mínima semelhança com a estatura moral do homem que o filósofo, debalde, buscava .

Pode dizer-se que ambos se cumprimentam reconhecendo-se mutuamente pela baixeza da sua dignidade. Sim, o mínimo que me permito censurar é a sua falta de amor próprio. As suas consciências moldam-se e acertam-se pelas conveniências políticas, em tempos oportunos, para ambos.

O senhor, o de maior estrutura física, na sua entrevista pela jornalista Judite de Sousa e, reiteradamente, em público, sempre que questionado, diz serem mentira todas afirmações de desconsideração que proferiu acerca do Continente. Nega o que tem sido por demais evidente, inclusive a chantagem da ameaça da independência. Agora diz: “amo a minha pátria que é Portugal” ; “lutando pela Madeira, sou português a querer o melhor para o meu país” . É mais ou menos com isto que, em substância, se afirma “o grande patriota”

Do outro, do baixinho, o menos de que se pode falar e é por demais suficiente, é a sua falta de brio da sua postura submissa, a tocar as raias da humilhação.
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O cúmulo do ridículo, é que, por último, os papeis parecem inverterem-se: o maior, o que tinha desprezado o mais pequenino, promete a este que se ele, "grande amigo", for primeiro ministro, como augura, estando reformado da política, se prestará a ser o seu motorista.
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Sendo assim, com o descrédito deste exemplo, Demóstenes, hoje, de candeia acesa pelo caminho da política , encontraria um homem ?
Nestas tristes figuras, não, com certeza !

sexta-feira, outubro 27, 2006

O PRESTÍGIO DO PROFESSOR

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Nesta circunstância, de todo o barulho a que a classe docente, actualmente, se entrega para reclamar os seus direitos, que julga postergados, é, de meu parecer, oportuno, reeditar neste blog, o texto que, no jornal " Comércio da Póvoa" de 20 de Outubro de 1994, publiquei com o título:
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A MINHA HOMENAGEM AO PROFESSOR PRIMÁRIO

Tenho profundamente arreigado na memória aquilo a que poderei chamar o meu primeiro e solene acto público.

É verdade, prevenido com muitas recomendações, tremendo de medo e de ansiedade, parecendo também alegre e feliz, parto com um pequeno bando a caminho da “ Escola dos Sininhos”. Todos, de cara bem lavada e de fatinho domingueiro, saímos de Aver-o-Mar, muito cedo para nos encontrarmos, na Póvoa , na sua casa da Praça do Almada , com a Senhora Professora, ainda a tempo de recebermos os derradeiros conselhos, antes do exame.
Já não são ralhos, advertências ou receios que ela nos transmite, mas, sim, incentivos e a convicção que cada um de nós - ela dirige-se a cada um em particular – está perfeitamente apto a passar no exame.

Era a atitude psicologicamente correcta, no momento próprio.

Como nós, outros bandos de outras freguesias abandonavam os seus ninhos a caminho do final da etapa, meta donde alguns se desgarrariam das origens, encetando , sozinhos, largos voos para outras paragens prometedoras de melhor vida que a dos seus progenitores.

Aquele exame público da 4.ª classe era realmente o fim dum duro ensaio de voo que tínhamos que fazer , não sem algumas bicadas dos nossos mestres que não admitiam fracas vontades ou preguiças. Eram dolorosas as bicadas? Se eram, na altura, penso que todos, sem excepção, têm-nas, hoje, à conta de bem empregadas e narram-nas, aos filhos, com saudade e referências carinhosas aos seus autores.
Na minha conta, tenho que me queixar das muitas que não levei, porque, das poucas que sofri, não me lamento de nenhuma.

Foi minha professora a Sr.ª D. Maria Clementina Cunha, saudosa senhora , conhecida, no seu meio, por D. Mimi, ligada à família Santos Graça pelo casamento com o Sr. Alfredo Graça e mãe do distinto médico que tem o nome próprio do seu progenitor.

Ainda hoje me interrogo como era possível para, além de conter, ensinar quatro classes de passarada chilreadora e turbulenta, que, não cabendo nas carteiras, se empoleirava em grandes bancos, no funda da sala, e ainda se acocorava no chão ?

Que métodos, que estratégias,a adoptar para tal ensino ?

Mesmo assim, todos os anos, havia os exames da 4.ª classe e os alunos propostos, passando por prova oral pública, com a assistência dos pais e de outros educadores, não deixavam ficar mal a sua professora. Não me esquecerei, nunca, do sorriso de satisfação e da última carícia que então dela recebemos, quando cada um de nós lhe narrava a sua prova e lhe comunicava o bom êxito do seu exame.

Como muitos outros da sua geração e ainda de gerações a seguir e mais recentes, aquele era o momento mais gratificante de todo o esforço sobre-humano de um duro trabalho e de angústia, sempre reiniciado, em cada ano, obrigatoriamente, até aos 60 anos de idade.

E que responsabilidade, meu Deus ! Do seu trabalho dependia, até para aqueles que prosseguiam os seus estudos , toda uma base sólida para o edifício completo da sua formação

Hoje, sem querer censurar, mas, forçosamente, constatar, que não faltará o brio profissional a muitos professores, que os tempos são outros, os valores mudaram e, comparativamente, o menor sacrifício é mais bem pago.

O pedagogo, no sentido etimológico da palavra, acabou !
E, para terminar, só mais esta constatação: uma professora do “ensino básico” recentemente aposentada, aufere mais que o total das pensões dos seus dois progenitores, também professores primários aposentados.

E, para acabar, mesmo, só falta o lugar comum: “ A culpa é do SISTEMA !”

Dimas de Castro Maio