sexta-feira, março 23, 2007

. . . INDIGNIDADES POLÍTICAS


INDIGNIDADES POLÍTICAS .

Sim, indignidades políticas, penso que é o título que se ajusta perfeitamente para encimar este texto em que me ocuparei a comentar o comportamento de determinados actores, iluminados pelas luzes da ribalta, da cena onde se promovem modernos espectáculos de “provocação ao público”
São actores, personagens da cena política, não entidades distintas da sociedade em que naturalmente se farão respeitar pelas suas qualidades intrínsecas. Quero, com isto, dizer que, frequentemente, a representação a que integralmente (?) se dedicam lhes pode causar deformação do comportamento natural, quando não dotados de uma personalidade forte, de carácter incorruptível , impoluto, a todos os títulos, íntegro.
Esta diferença de ser e agir naquela situação de político foi, há tempos, comprovadamente aceite na A.R. quando determinado interveniente, em altercação com outro , se referiu à “sua cobardia”; ao coro de espanto, o primeiro emendou imediatamente para : “cobardia política”. Ficou assim dada e aceite a devida satisfação, ao que se tinha considerado como ofendido.
Cobardias politicas, pois, se constatam a todo o instante.
A vergonhosos actos de absoluta falta de pundonor, de descrédito moral, se deixa arrastar um partido cujos elementos se agridem e insultam em público por motivo da disputa, reciprocamente nada leal, de dois de seus destacados membros, pelo lugar de presidente.

Tem-se evidenciado também pela sua falta de dignidade política um outro cuja pequenez se revela em todas as facetas em que se pretenda considerá-lo. Mentalmente se tem revelado muito abaixo da bitola minimamente aceitável para o desempenho do cargo que o fizeram ocupar. Esganiça-se, em vão, para que oiçam os argumentos que, estou convencido, outros do seu clube, maldosamente, lhe sugerem que ostente na A.R. para contestar as actividades do governo. E sempre sai ridiculamente derrotado pela prova em contrário apresentada pelo ministro competente .
Ainda agora, quando o Primeiro Ministro pretendia, muito legitimamente, em nome do Governo, informar e se congratular, perante os portugueses, por ter alcançado e até ultrapassado o seu objectivo da redução do défice orçamental da meta a si próprio imposta, eis que o "mendinho da direita", a desconcerto, todo se emproa para apresentar o "problema" do aeroporto da Ota, insinuando a agravante do favorecimento, pelo Governo, dos proprietários dos terrenos confinados.
Deste enxovalho, partido da pequenez dum mendinho, contra a probidade do grande Sócrates, só poderia provocar da parte deste a reacção que se lhe vê estampada na imagem: com o seu indicador a ameaçar o "mendinho". - "Não lhe admito isso !"

terça-feira, fevereiro 27, 2007

ESMERALDA - A (IN)JUSTIÇA DOS TRIBUNAIS

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DURA LEX, SED LEX …

A Lei é implacável na aplicação rigorosa dos seus princípios de objectividade e generalidade; contudo pode depender do julgador a sua interpretação, em cada caso, sem lhe desvirtuar aqueles atributos.

Quero dizer que a justiça não pode ser estúpida e cruel , faltando à razão e à humanidade por deficiente ou cego entendimento das causas com a consequente denúncia e condenação de um crime, sem fundamento seguro e incontestável da sua existência.

É o caso do “sequestro” da pequenina Esmeralda que tenho em mente .

Analisando com a frieza racional não se vê como pode haver sequestro da criança que foi entregue pela sua mãe, aos três meses de idade, ao casal que a acolheu e a criou até aos 5 anos, sua idade actual. Sequestro, para o comum dos mortais, pressupõe alguma violência psicológica e privação de liberdade da sequestrada por acção do sequestrador. Ora o sargento, pai adoptivo da Esmeralda, foi condenado com a pena de 6 anos de prisão, pela acusação do crime de sequestro por se negar a apresentar ao tribunal a que considera sua filha adoptiva , o que se torna algo diferente.

Por outro lado e ainda considerando a análise puramente racional, como pode apresentar-se a reclamar os direitos de pai da criança, um homem que apenas provocou acidentalmente a fecundação sem outro motivo que não fora o de mero prazer sexual, com uma mulher desprotegida por uma vida inteiramente carenciada de conforto físico e moral ? Acresce a circunstância de, ainda durante a gestão, com o sentido da vida amargurada, com a dor da antevisão da miséria a que seria lançado o seu bebé , procurou aquele homem para que se assumisse como corresponsável pela sua criação, ao que ele peremptoriamente se negou, acusando-a de lhe “querer estragar a vida”.
Foi nestas circunstâncias que, imagina-se, com a dor no coração, a desafortunada mulher encontrou o suave recurso da entrega do ser que em seu ventre gerou, ao casal que até hoje o tem e o ama como seu autêntico rebento.

Considerando agora a vertente moral; analisando o aspecto humano da questão, reflita-se, a esta luz, sobre os direitos dos contendores do conflito:
AMOR, com todo o sentido do termo preenchido, é o sentimento mais profundo que sobressai e domina verdadeiramente a contenda.
Vejamos : a mãe, sentindo a dor de não poder criar o ser que gerou em seu ventre, é por amor que se sacrifica à separação e o entrega a um casal que tem todas as condições e dá garantias de lhe proporcionar uma vida feliz .
Essa confiança vem a confirmar-se, pelo sacrifício do sargento, o pai adoptivo, que prefere sujeitar-se à prisão a ter de entregar a sua filha. Isto é a suprema renúncia ao seu conforto pessoal, é a abnegação sublime em favor do ser para quem está disposto a inteiramente viver.
E o tribunal, será que não atenta na (in)justiça de considerar a criança como um mero objecto em disputa? Onde se vê a máxima consagrada do superior interesse da criança ?

quarta-feira, janeiro 17, 2007

REFERENDO SOBRE A DESPENALIZAÇÃO DO ABORTO

O aborto é crime ? .

Julgo que há uma grande confusão acerca do referendo, sobre o votar sim ou não para a despenalização da IVG . Estou mesmo convencido que muita gente pensa que se trata de liberalizar, senão mesmo, preconizar o acto , não importa em que situações a grávida o deseje. E há muita hipocrisia a pretender sustentar este equívoco. Falaciosamente generaliza-se o que se pretende particular ou acidental .

A consulta posta ao povo esclarecerá objectivamente as situações em que a Lei não condenará a mulher que não vê alternativa para a dor de ter de se sujeitar a um acto de mutilação do seu próprio ser . Porventura, poder-se-á pensar que a infeliz não tem consciência do mal que a si própria causa? Será justo que ainda mais a humilhem com a exposição pública da sua “imoralidade” ?

Por princípio, a Lei é amoral. O acto imoral, nem sempre é crime. O religioso pode considerá-lo um pecado, mas não tem o direito de exigir ao secular que o puna com a vara da justiça .

Por outro lado, a hipocrisia excede-se na enormidade de declarar o aborto como um “acto terrorista” ou o absurdo da semelhança à imagem do enforcamento de “Saddam Hussein”

É de ciência generalizada que o aborto sempre se praticou e continuará a praticar, mesmo por quem hipocritamente se diz contra; só com a diferença de que, enquanto as ricas o fazem em clínicas luxuosas, até no estrangeiro, as pobres se sujeitam a fazê-lo, clandestinamente, em qualquer tugúrio, muitas vezes, sem as mínimas condições de sanidade, assistidas por curiosas que, frequentemente, lhes causam danos irreparáveis.

Finalmente, esclarece-se que o que está em causa não é se se é a favor ou contra o aborto, mas a favor ou contra a despenalização da interrupção voluntária da gravidez (IVG) até às dez semanas, em estabelecimento de saúde para tal autorizado.
E para quem propala “o direito à vida”, os cientistas de todo o mundo civilizado não reconheceram a existência de vida humana até às 10 semanas de gravidez.

quarta-feira, janeiro 03, 2007

UM DEMOCRATA EM CLIMA ADVERSO

A estátua do Major Mota foi reinstalada, após o seu novo derrube, desta feita, parece que, por canalhice. É esta uma oportunidade para reeditar o meu texto publicado no jornal “Comércio da Póvoa” por ocasião do seu centenário, documentando a homenagem pessoal ao homem valioso por quem a minha memória regista, para todo o sempre, a enorme gratidão pela sua valorosa e sincera amizade

Major Mota
- a minha homenagem -

Aquando do derrube da estátua deste Poveiro de Coração eu e, estou certo, muitos do meu tempo que tiveram a felicidade de usufruir dos benefícios da sua amizade, houvera aquele nefando acto de nos afrontar a alma e nos provocar uma ingente sede de justiça e de desagravo à sua memória.
Seria acção gratuita de puro vandalismo? Sou mais propenso a pensar que se tratou de feito sectário, de fanáticos que julgam mais os homens pelas ideias do que pelos seus actos. E eles dizem-se democratas ,diversificados por opções políticas de direita, do centro ou de esquerda, prontos a propalarem a justiça e o respeito pelos direitos dos cidadãos. E mentem, muitos que conheço, porque faltam aos mais elementares deveres sociais. A liberdade democrática é só para eles, negando os mesmas prerrogativas aos que lhe são próximos.

Democracia (do grego: democratia) significa poder ou governo do povo e democrático é o partidário desse governo. Mas, com alguma subtileza, confesso, atrevo-me a diferenciar o termo democrata para denotar a pessoa que sendo do povo vive e trabalha para o bem do povo. Se tem algum poder ou autoridade, não a impõe com arrogância, antes fá -la aceitar pela Comunidade com a dedicação e serviço que lhe presta com o maior empenho e rectidão e usa a sua influência para lhe solucionar os problemas, enquanto que "democrático" pode ser, tão-somente, um membro ou adepto desse partido.

O Major Mota era um cidadão integrado na política do seu tempo como a maior parte dos que transitaram e facilmente se adaptaram ao actual regime, embora alguns muito falsamente, como a toda a hora se constata.
Acontece, porém, que a indesmentível firmeza e honradez do seu carácter jamais permitiram a sua instrumentalização a favor daquilo que ele judiciosamente considerasse menos lícito ou lhe entravasse a acção em favor da sua e nossa comunidade. E só por essa razão teve de afrontar influências de protegidos situacionistas que haviam, a breve trecho, de implacavelmente lhe punir a ousadia e, com falso pretexto, o despacharam para Lisboa.

A sua estátua implantada à entrada da rua da Junqueira memoriza com rigor a sua inquebrantável pertinácia de, contra ventos e marés, levar avante a justeza do seu projecto de proibir ai a circulação de viaturas. Reservar aquela artéria, livre e segura, para movimento de pessoas, foi obra sua, mas um dos pecados que o conduziram ao "ostracismo".

Cabe aqui afirmar que a "União Nacional" partido único legal e suporte do regime, sentiu-se traído pelo filho rebelde que, reiteradamente, recusou cumprir “juro obedecer cegamente aos meus superiores", fórmula que então se era obrigado a clamar na tropa, aquando do "Juramento de Bandeira". (eu que fui soldado, tive de o fazer, embora sentisse rudemente o atentado à minha inteligência.)

Em consequência, a secção daquele partido na Póvoa de Varzim, todo poderoso, que, dentro do concelho, nomeava para os cargos políticos e outros, só aqueles que merecessem a confiança do regime e os destituía quando essa confiança era contrariada, "tramou",o termo é este, o Presidente da Câmara Municipal, Major Mota e despachou-o para Lisboa, para longe da família, a cumprir a penitência para o remir do pecado da não submissão incondicional às directivas do partido que tinha o monopólio do poder.

Este Homem era um democrata, porque amava a liberdade de pensar e agir e jamais perseguiu ou denunciou alguém hostil ao regime. Ele respeitava, com alguma afeição, o nosso saudoso Director, Manuel Agonia Frasco, inveterado e declarado opositor aos governos de Salazar e Caetano e este secular jornal foi o seu instrumento de luta.

Acusam-no de comandar a Legião Portuguesa. Grande crime esse!
Na Póvoa, a Legião Portuguesa era apenas uma moda, um aparato para os janotas que mandavam fazer as fardas à medida. Para os outros, para os que lutavam pela sua subsistência, ser filiado na Legião Portuguesa era a perspectiva de uma colocação, de um emprego na Função Pública. E então, era esse o dano que provocavam na Comunidade? Era essa a famigerada Legião Portuguesa, como foi dito por alguém?
Não eram p.i.d.e.(s) nem "bufos". Estes sim. Aquando da guerra civil de Espanha e nos anos subsequentes, se disseminavam e se dissimulavam pelos Cafés, por toda a parte, para espiar e escutar conversas de grupos e a sua baixeza moral era de tal ordem que denunciavam um amigo ou um membro da própria família. Nós, estudantes daquele tempo, dávamos fé de alguns cuja suspeita actividade se veio a confirmar mais tarde.

Naquela condição, o Major Mota estava à vontade e não era contrariado na sua acção em favor da terra que adoptou como sua. Seria até uma estratégia, não pensada mas intuída, que lhe dava alguma vantagem para vencer obstáculos que se lhe deparavam pela frente, como o caso da rua da Junqueira, que levou avante, embora saísse pessoalmente maltratado da contenda, como se viu.

Como Presidente da Câmara não auferia quaisquer proventos não obstante o apego que tinha ao trabalho a ponto de, por vezes, não poder conter um desabafo, acusando-se aos amigos da falta de assistência à família. Nem as horas de refeição ele as podia consagrar inteiramente ao Lar.
Para além das horas de expediente e pela noite adentro, lá ficava o nosso Presidente António José da Mota, sozinho, no seu gabinete, a assegurar o serviço de sua competência e responsabilidade.
Era nessa ocasião que eu o visitava entrando na Câmara pela porta das traseiras, da rua Paulo Barreto e me recebia com a sua peculiar simpatia, pondo-me à vontade para lhe fazer algum pedido. O meu Amigo .sempre me atendeu, não tendo eu , pobre de mim, maneira de lhe retribuir.
A nossa amizade nasceu no tempo em que eu era filiado na milícia da Mocidade Portuguesa. Éramos bastantes os moços que gostávamos de marchar, com garbo, em formação, pelas ruas da vila de arma ao ombro ou exibirmo-nos nas solenidades da localidade ou nacionais, como sendo a procissão do Corpo de Deus ou o dia Primeiro de Dezembro. Tínhamos então dezasseis a dezoito anos. Não nos dávamos fé de nos integrarmos como elementos de propaganda do regímen fascista do "Estado Novo". Não conhecíamos termos comparativos de outras políticas. O que nos agradava era o bom ambiente proporcionado pela camaradagem que o então tenente Mota naturalmente sabia cultivar. À vontade conversávamos, divertíamo-nos, riamos e ele sabia ser tão moço como nós. A amizade recíproca entre os rapazes e o seu Condutor brotou assim, espontânea e sincera.
Para ilustrar esta asserção e do modo do proceder do nosso tenente Mota, passo a contar um episódio em que fui protagonista :

Não me lembro agora o motivo por que estávamos nós, os "milicianos", aglomerados à entrada da igreja da Misericórdia, do anteparo para a porta. Alguém do grupo se meteu a requestar uma colega estudante que por ali apareceu. Em dado momento o diálogo tornou-se um pouco rumoroso. Eu estava muito perto do par e o tenente Mota, confundido, admoestou-me, vivamente, pela "falta de respeito...pouca vergonha” – disse. Claro que eu, rebelde, rezinguei e afastei-me amuado.
Num dia de instrução próximo e já em formatura, o nosso tenente Mota, entretanto inteirado da minha inocência, perfilou-se na minha frente deu "a mão à palmatória" e, com voz entendida por todos, pediu-me desculpa.

Era assim este homem recto que corrigia a si próprio as injustiças involuntariamente praticadas. .
Mais, para prova da sua vertical personalidade, inflexível independência de espírito e humanidade, eu fui testemunha presente de outro facto que passo a narrar :

Este caso é, no tempo, muito posterior ao antecedente e era então o respeitável senhor António José da Mota já major e presidente da nossa Câmara Municipal. Acontece que, não me lembro agora a que titulo, bastante gente aguardava, na arcada dos Paços do Concelho, um alto dignitário do governo ( parece que o governador civil do Porto) e sua comitiva que foi recebida, como manda o protocolo, à entrada, pelo Presidente Major Mota. Entre o público assistente, encontrava-se o idoso e venerando José da Costa Novo, comandante honorário dos Bombeiros Voluntários da Póvoa de Varzim, por coincidência avô de minha mulher. No momento em que o séquito entrava no vestíbulo, o velho senhor que ensaiou segui-lo, tropeçou num degrau, caiu e ficou prostrado no solo. Acto continuo o Major Mota, presidente da Câmara, abandona a comitiva e acode a levantar o seu amigo. Entretanto, como se demorou a confortar o "comandante" - era assim que ele se dirigia ao Sr. Costa Novo - a comitiva retomou a subida da escadaria. Alguém lhe quis chamar a atenção para o facto ao que eu lhe ouvi responder, sem equívoco: "que se lixem, o que agora me importa é que o comandante fique bem".
Era assim este Homem!
Dimas de Castro Maio

Texto a publicar em "O Comércio da Póvoa de Varzim" por altura da celebração do seu centenário
( 3 - de Dezembro - 2003 )

quarta-feira, dezembro 20, 2006

IRONIA ESQUIZOFRÉNICA

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Aqui há tempos, ouvi, pela rádio, um médico, de elevada posição social, ditar um diagnóstico sobre determinadas entidades que, com certeza, não têm consciência da realidade do mundo em que vivem, não se dão conta que sofrem de “esquizofrenia”(disse ele). Os doentes que o clínico citou, um grupo de três , exemplares de uma vasta classe, intitulando-se "o Paciente Social" que, pelos vistos, se imaginam num mundo “fantástico”(termo muito em voga, hoje) em que tudo se ordena e resolve, pela prevalência do diálogo entre os elementos colaborantes, para o aclaramento e solução das questões de interesse público. Chamam a isso procedimento democrático.
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Dissequemos com o bisturi de cirurgião os pressupostos que o levaram aquela sentença:
- “são esquizofrénicos” !
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- O médico não é de competência psicológica e, actualmente, o seu múnus é, exclusivamente, de altíssima responsabilidade administrativa, merecendo a confiança de quase a totalidade de um povo que o elegeu, o que lhe vai muito bem com a sua eminente personalidade.
- Os indivíduos sentenciados pelo ex-facultativo, mostraram uma flagrante incoerência quando contestaram o aumento proposto das tarifas de recolha do lixo e das facturas da água. Só por um desvio patológico de suas mentes, podem pensar que as emblemáticas obras em curso, merecedoras do seu pleno e entusiástico acordo, se poderão concluir sem algum sacrifício dos munícipes, aliás, por elementar justiça , os mais directamente beneficiados.
- Já basta termos de lamentar o incumprimento da tal “intervenção fantástica” nas praias de Aver-o-Mar. Mas, o senhor Presidente , em “ocasião oportuna”, declarou, solenemente, que fará tudo o que prometeu ainda dentro do seu mandato. Por indesmentível mérito próprio, a sua reeleição acontecerá sucessivamente, ad aeternum , mas ia poder jurar que a promessa é para satisfazer dentro da sua actual etapa. Deo gratias !
- Finalmente, só por uma questão de deformação profissional, o que acontece a muito boa gente, o ex-médico levou à conta de sintomas os elementos considerados e, vai daí, o diagnóstico:
- São esquizofrénicos !

quarta-feira, dezembro 13, 2006

B L O G O S F E R A

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"BLOGGER POVEIRO"

Blogosfera é o ciberespaço, espaço virtual constituído por informação que circula nas redes de computadores e telecomunicações. Cibernauta - pessoa que utiliza a Internet regularmente.

Daí, imaginar-se um universo, um cosmos, onde gravitam astros e asteróides com os cibernautas a tentarem a descolagem de suas órbitas , atraídos pela magia da descoberta de novos mundos e com eles estabelecerem comunicação.
Para além do encanto das ligações anulando distâncias e estabelecendo, sem peias, permuta e confronto de ideias entre os comunicadores, os usuários dos bloggers , há as relações humanas, de empatia, de solidariedade, que acontecem mesmo entre desconhecidos, exactamente favorecidas pela utilização dessa ferramenta universal

A criação do Blogger Poveiro (blogs e sites poveiros) é, neste capítulo, uma ideia sublime. Digamos que é um pequeno espaço de globalização, que facilita o conhecimento e a consulta dos diversos blogs nele alistados. Está, pois, de parabéns o seu criador.

Muito de lamentar seria se este espaço de eleição fosse conspurcado pela indecência, pela obscenidade que são, eles mesmos, alguns blogs anónimos. Espero bem que essa cobardia seja definitivamente afastada desta colecção que tem a promessa ou todas as garantias de sucesso.

quarta-feira, dezembro 06, 2006

SER E SABER SER POLÍTICO 1

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Esclarecimento

Para prevenir a hipótese de não ter sido muito claro no meu anterior post e, por isso, o consequente receio de poder ser mal interpretado, quanto ao objectivo pretendido, vou retomar o tema do título, reabrindo-o, exactamente, com o termo chave, “altivez” , inserto na passagem que transcrevo:

- “Às constantes provocações de seus agressivos antagonistas, a personalidade forte, defende-se com o escudo de sua altivez. Não cai na asneira de usar arma idêntica de arremesso.”

Altivez , que no caso concreto, a nível local , em que o presumível leitor pode pensar que me refiro, seria justo interpretar como soberba; arrogância; intolerância e, daí, concluir-se não ser, o termo, atributo da entidade provocada, mas sim do sujeito provocador . Realmente, assumir a posição de inalterável arrogância de “ quero, posso e mando”, é absolutamente condenável em democracia, uma provocação para quem tem o legítimado direito de ser ouvido em todos os actos ou projectos de interesse da comunidade. A afirmação das posições opostas faz-se pela prevalência da argumentação, em diálogo vivo, mas de respeito pela personalidade do adversário, em alternância de ideias ou pontos de vista, não como inimigo.

Altivez, no sentido em que empreguei o termo e numa perspectiva virtual , de abstracção, meramente pedagógica, significaria: elevação; brio; orgulho; majestade; nobreza .

Assim, fica concretamente esclarecido que, repito, “às constantes provocações de seus agressivos antagonistas, a personalidade forte, defende-se com o escudo de sua altivez . Não deveria cair na asneira de usar arma idêntica de arremesso.

domingo, dezembro 03, 2006

SER E SABER SER POLÍTICO

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Apenas uma pequena introdução para dizer que, o que a seguir exponho, não tem uma finalidade ou rumo pessoal concretamente definido mas, tão-somente, porque quero deixar aqui publicado o meu conceito sobre o tema que sintetizo no título acima . Esse é o meu isento e único objectivo.

Estar, hoje, na política tem as suas regras, nem sempre atinentes a uma boa formação moral.
Contudo há , felizmente ainda, quem não abdique da sua dignidade, da sua honradez de carácter, não obstante saber que, para alcançar e se manter em lugar politicamente relevante, não poderá, em frequentes situações, usar da frontalidade inerente à lisura do seu corrente e normal comportamento.
Não terá, necessariamente, de ser dissimulado, mas deverá saber acautelar-se, munindo-se de boas armas, para se defender daqueles que o são. Prevenir-se contra o fingimento, a astúcia, a manha de seus inimigos e, sobretudo, de falsos amigos ( nesta área é onde existem os maiores traidores), por pretensão do lugar que ocupa, ou por despeito e inveja de seu elevado prestígio social terá de ser a preocupação da personalidade moralmente sólida para não ter, por incauto, de se queixar de vitimização.
Às constantes provocações de seus agressivos antagonistas, a personalidade forte, defende-se com o escudo de sua altivez. Não cai na asneira de usar arma idêntica de arremesso. A cilada da tentação da resposta atá-lo-á, com os liames do descrédito, perante o cidadão informado que saberá distinguir e compensar a probidade do político que ele respeita e, por ventura, elegerá para um hipotético cargo público de responsabilidade política.

domingo, novembro 26, 2006

T A L A S S O T E R A P I A

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"Manuel Agonia investe em unidade de Talassoterapia em Aver-o-Mar"
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Sob este título, nos periódicos locais, foram prestadas informações pormenorizadas de que deduzi estar-se perante uma intervenção não fantástica, mas real, a curto prazo. Deve ser considerada como a mais vantajosa e promissora obra de valor turístico nesta vila, cujas praias têm uma aliciante beleza natural. São fascinantes e tentadoras do desfrute de seus admiradores. Estes são todos os que, com os olhos, têm o prazer de as mirarem, do ar tonificante respirarem, o regalo de nas suas límpidas águas mergulharem e sobre suas brancas areias poderem repousar
Ao reconhecer o interesse público do projecto , a Câmara municipal deu um forte impulso à sua concretização que estará agora apenas dependente do parecer das instituições estatais quanto ao seu potencial interesse Nacional (PIN)”
O projecto mereceu o elogio unânime dos vereadores socialistas e social-democratas”.

É de uma estância de saúde que se trata , mas para além da “estrutura de talassoterapia terá uma unidade hoteleira acoplada”.
Imagina-se a mais-valia para a Póvoa. Para além dos postos de trabalho que se criam pode imaginar-se um pólo de atracção, um núcleo a irradiar linhas de força para o desenvolvimento e expansão de outros focos de interesse público ou privado que se sustentem para além do veraneio.
Imaginativo e empreendedor é o empresário de cuja ousadia a grande Póvoa tem colhido benefícios. Haja em vista a meritória criação do grande estabelecimento hospitalar “Clipóvoa”. Apenas este exemplo para definir e confiar na acção do homem que jamais quer estar parado.
O nosso Município, com toda a justiça, propõe-se derrubar as barreiras burocráticas que possam impedir ou retardar a OBRA Confiemos no sucesso da sua intervenção que desejamos, desde já, aplaudir.

Diz-se que está prevista a instalação numa praia a que alguém resolveu denominar “praia das velas”. Estranho essa designação. Eu que, como pescador amador, vezes sem conta, de noite ou de dia, calcorreei todas as reentrâncias que a imagem mostra, desconheço tal praia. Será que quereriam dizer “praia das canas” , também chamada “praia da caninha”, muito próxima do “cabo de carreira” dos penedos de Santo André ?
Pois, ali, naquele areal, ao abrigo daquela penedia que vai pelo mar dentro, o majestoso trono de Neptuno, ali, naquele amplo espaço onde, na imagem, se divisa o valo verde de chorões, é que ficaria bem implantada a talassoterapia e o edifício do hotel.

domingo, novembro 19, 2006

A PROMETIDA "INTERVENÇÃO FANTÁSTICA " EM AVER-O-MAR

belas ruinas - "grande atracção turística nas praias" - Aver-o-Mar

O fantástico não se vê. Isto sim , é o real ! É piramidal! É tão antigo como as pirâmides do Egipto ! Tem o mesmo valor histórico ! Não se meta, aqui, o "camartelo do progresso". Se o fizerem, os averomarenses clamarão contra a barbária!

sábado, novembro 18, 2006

. . .MEU CONCEITO DE CRÍTICA

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Ainda a propósito da “Candeia de Demóstenes”, ocorre-me a referência à reacção de determinados políticos da nossa proximidade face à critica a que, pelos seus cargos de responsabilidade social, estão naturalmente sujeitos.

Se a apreciação pública que deles se faz lhes é manifestamente elogiosa, imagina-se que ficam ufanos mas, fazem questão de se mostrarem superiores, não reparando nos agentes ou autores do elogio: estes, nem em bicos de pés, ficam à altura do seu pedestal. A sua cabeça, laureada pelos louvaminheiros, não admite que possa haver alguém que, assim como os enaltece por actos ou comportamentos meritórios, use da mesma honestidade e isenção para os censurar pelas acções ou actividades consideradas menos ajustadas a personalidades que, por princípio, se obrigam a bem servir a comunidade que, da sua empenhada acção, legitimamente, espera justos benefícios .

Fazer crítica não é, necessariamente, dizer mal, como vulgarmente se entende; dizer bem, também não é, reversamente, louvaminhar como, lamentavelmente, o fazem os aduladores, tão do agrado, e merecendo favores, dos adulados.

Em suma, crítica, de meu senso, não será, nunca, maledicência por (des)prazer ou má vontade contra quem, hipoteticamente, não mereça simpatia do autor.

Criticar comportamentos, acções ou obras de entidades políticas, na área de sua responsabilidade, não é assim tão simples como poderá parecer ao cidadão pouco ou mal informado. Este objectivo carece de plena isenção e honestidade do agente crítico que, ainda por imperativo de credibilidade , deverá valer-se de uma argumentação sólida para, categoricamente afirmar o seu parecer .

Este é o conceito de crítica de que eu, aqui, declaro firmemente comungar .
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Veja-se, em arquivo de Setembro, o post : "ELOGIO / BAJULAÇÃO. - .AUTO-ESTIMA / VAIDADE"

sábado, novembro 04, 2006

COM A CANDEIA DE DEMÓSTENES À PROCURA DE UM HOMEM

A propósito da imagem e o que ela confirma do comportamento de certos políticos, ocorre-me a metáfora da “candeia de Demóstenes” :

Demóstenes, grande orador e político grego, de candeia acesa pelas ruas de Atenas, procurava, em vão, um homem...

A figura que aqui se vê, a um nível inferior e sorrindo para agradar à que aparece sobranceira e condescende em estender-lhe a mão, não tem, com toda a certeza, a mínima semelhança com a estatura moral do homem que o filósofo, debalde, buscava .

Pode dizer-se que ambos se cumprimentam reconhecendo-se mutuamente pela baixeza da sua dignidade. Sim, o mínimo que me permito censurar é a sua falta de amor próprio. As suas consciências moldam-se e acertam-se pelas conveniências políticas, em tempos oportunos, para ambos.

O senhor, o de maior estrutura física, na sua entrevista pela jornalista Judite de Sousa e, reiteradamente, em público, sempre que questionado, diz serem mentira todas afirmações de desconsideração que proferiu acerca do Continente. Nega o que tem sido por demais evidente, inclusive a chantagem da ameaça da independência. Agora diz: “amo a minha pátria que é Portugal” ; “lutando pela Madeira, sou português a querer o melhor para o meu país” . É mais ou menos com isto que, em substância, se afirma “o grande patriota”

Do outro, do baixinho, o menos de que se pode falar e é por demais suficiente, é a sua falta de brio da sua postura submissa, a tocar as raias da humilhação.
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O cúmulo do ridículo, é que, por último, os papeis parecem inverterem-se: o maior, o que tinha desprezado o mais pequenino, promete a este que se ele, "grande amigo", for primeiro ministro, como augura, estando reformado da política, se prestará a ser o seu motorista.
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Sendo assim, com o descrédito deste exemplo, Demóstenes, hoje, de candeia acesa pelo caminho da política , encontraria um homem ?
Nestas tristes figuras, não, com certeza !

sexta-feira, outubro 27, 2006

O PRESTÍGIO DO PROFESSOR

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Nesta circunstância, de todo o barulho a que a classe docente, actualmente, se entrega para reclamar os seus direitos, que julga postergados, é, de meu parecer, oportuno, reeditar neste blog, o texto que, no jornal " Comércio da Póvoa" de 20 de Outubro de 1994, publiquei com o título:
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A MINHA HOMENAGEM AO PROFESSOR PRIMÁRIO

Tenho profundamente arreigado na memória aquilo a que poderei chamar o meu primeiro e solene acto público.

É verdade, prevenido com muitas recomendações, tremendo de medo e de ansiedade, parecendo também alegre e feliz, parto com um pequeno bando a caminho da “ Escola dos Sininhos”. Todos, de cara bem lavada e de fatinho domingueiro, saímos de Aver-o-Mar, muito cedo para nos encontrarmos, na Póvoa , na sua casa da Praça do Almada , com a Senhora Professora, ainda a tempo de recebermos os derradeiros conselhos, antes do exame.
Já não são ralhos, advertências ou receios que ela nos transmite, mas, sim, incentivos e a convicção que cada um de nós - ela dirige-se a cada um em particular – está perfeitamente apto a passar no exame.

Era a atitude psicologicamente correcta, no momento próprio.

Como nós, outros bandos de outras freguesias abandonavam os seus ninhos a caminho do final da etapa, meta donde alguns se desgarrariam das origens, encetando , sozinhos, largos voos para outras paragens prometedoras de melhor vida que a dos seus progenitores.

Aquele exame público da 4.ª classe era realmente o fim dum duro ensaio de voo que tínhamos que fazer , não sem algumas bicadas dos nossos mestres que não admitiam fracas vontades ou preguiças. Eram dolorosas as bicadas? Se eram, na altura, penso que todos, sem excepção, têm-nas, hoje, à conta de bem empregadas e narram-nas, aos filhos, com saudade e referências carinhosas aos seus autores.
Na minha conta, tenho que me queixar das muitas que não levei, porque, das poucas que sofri, não me lamento de nenhuma.

Foi minha professora a Sr.ª D. Maria Clementina Cunha, saudosa senhora , conhecida, no seu meio, por D. Mimi, ligada à família Santos Graça pelo casamento com o Sr. Alfredo Graça e mãe do distinto médico que tem o nome próprio do seu progenitor.

Ainda hoje me interrogo como era possível para, além de conter, ensinar quatro classes de passarada chilreadora e turbulenta, que, não cabendo nas carteiras, se empoleirava em grandes bancos, no funda da sala, e ainda se acocorava no chão ?

Que métodos, que estratégias,a adoptar para tal ensino ?

Mesmo assim, todos os anos, havia os exames da 4.ª classe e os alunos propostos, passando por prova oral pública, com a assistência dos pais e de outros educadores, não deixavam ficar mal a sua professora. Não me esquecerei, nunca, do sorriso de satisfação e da última carícia que então dela recebemos, quando cada um de nós lhe narrava a sua prova e lhe comunicava o bom êxito do seu exame.

Como muitos outros da sua geração e ainda de gerações a seguir e mais recentes, aquele era o momento mais gratificante de todo o esforço sobre-humano de um duro trabalho e de angústia, sempre reiniciado, em cada ano, obrigatoriamente, até aos 60 anos de idade.

E que responsabilidade, meu Deus ! Do seu trabalho dependia, até para aqueles que prosseguiam os seus estudos , toda uma base sólida para o edifício completo da sua formação

Hoje, sem querer censurar, mas, forçosamente, constatar, que não faltará o brio profissional a muitos professores, que os tempos são outros, os valores mudaram e, comparativamente, o menor sacrifício é mais bem pago.

O pedagogo, no sentido etimológico da palavra, acabou !
E, para terminar, só mais esta constatação: uma professora do “ensino básico” recentemente aposentada, aufere mais que o total das pensões dos seus dois progenitores, também professores primários aposentados.

E, para acabar, mesmo, só falta o lugar comum: “ A culpa é do SISTEMA !”

Dimas de Castro Maio

domingo, outubro 22, 2006

PAGAR O JUSTO PELO PECADOR


No tempo em que, no Colégio D. Nuno, me preparava para fazer o exame de transição do “Curso do Comércio” ,que então tinha completado, para o “Curso Liceal” era , nessa altura, professor de Matemática o médico poveiro, Sr. Dr. Vieira Trocado.

A sua inteligência superava qualquer dificuldade de adaptação a esta sua segunda actividade. Era conhecedor da matéria que, muito bem, sabia transmitir aos seus alunos.

Tinha também uma particularidade que eu aprecio: a jovialidade, e não deixava fugir uma oportunidade para descarregar o seu constante bom humor:

Um colega de turma, João Freitas de seu nome ( que veio a ser Director do Hospital Psiquiátrico de Gelfa, situado entre Vila Praia de Âncora e Caminha), irrequieto por natureza, durante uma aula do Dr. Vieira Trocado, teria feito barulho com um objecto, caído da carteira, interrompendo o nosso bom professor em plena explicação da matéria sumariada.
Acto contínuo, o mestre, que apontava para o quadro com um comprido ponteiro, voltou-se e serviu-se do mesmo para chegar ao cocuruto do amigo Freitas .

- Não fui eu ! - diz o suspeito
- Ah não ?! – respondeu, o sempre folgazão, Dr. Trocado. Olha, Deus Nosso Senhor, que é Deus Nosso Senhor, fez pagar o justo pelo pecador e eu que nem santo sou...

Ocorreu-me esta facécia para a introdução de um assunto sério, mas que o posso encabeçar com o mesmo título : PAGA O JUSTO PELO PECADOR

Quero falar da actual revolução do ensino empreendida pela Ministra da Educação que tem provocado manifestações e greves dos professores acicatados pelos sindicatos, nem sempre de maneira convenientemente ponderada.

Serão justas as medidas que pretende empreender, das quais os profissionais se dizem vítimas, bodes expiatórios, do mau sucesso da educação, bem notório, que, sempre a outrem, fora da sua esfera da acção, atribuem ?
Será assim, globalmente considerando a minha classe, não admitindo que o rebanho, actualmente, está intensamente eivado de ovelhas ranhosas ?
E os sindicatos têm agido da maneira mais concertada com os verdadeiros interesses dos seus inscritos ? O exagero das suas exigências, nas actuais circunstâncias, levarão a bons resultados? Não serão contraproducentes ?

Pense-se nestas questões. Medite-se nos exames, abolidos, dos alunos, a que os docentes foram dispensados de apresentar, dando espaço ao facilitismo dos desleixados. Recordem-se as fraudes dos destacamentos e dos atestados médicos; Ajuíze-se do absurdo do horário Zero...

O corolário destas questões patenteia-se publicamente na constatação da ignorância de indivíduos que se exibem na imprensa ou se expõem na TV, sobretudo nos concursos, onde pretendem demonstrar uma competitiva cultura geral. Muitos são os que falham redondamente na matéria que deveriam ter aprendido na escola. Cito apenas um clamoroso exemplo que foi, recentemente, repetido:
A questão foi apresentada na categoria de Língua Portuguesa, e a concorrente pediu, imagine-se, difícil :
- Das formas verbais: achastes; achais; achareis, diga qual é a da segunda pessoa do plural, do presente do indicativo.
A senhora que era militar da G.N.R. hesitou, o apresentador ajudou e, finalmente, respondeu certo: - achais. Contudo houve, dos adversários, vários que erraram.
Isto já era inadmissível num terceira classe da escola primária do meu tempo de menino.

domingo, outubro 15, 2006

JARDIM VAI RETALIAR

“ JARDIM VAI RETALIAR”

Com testes subterrâneos, crédito à Cofidis e mais 50 anos à frente do Governo Regional.

É deste modo que o Jornal “ PÚBLICO” no seu suplento, “O Inimigo Público” destaca a gloriosa atitude do "Querido Líder Jardim, presidente para a eternidade, amado por milhões de madeirenses e temido por biliões de cubanos” ( os habitantes da Região Autónomo e os do Continente, nós os cubanos, como muitas vezes assim refere)
“A Pátria pode dormir descansada, porque o Virtuoso Marechal dos Ares sabe apontar as anti-aéreas para o sítio de onde vêem os charter a abarrator de pedófilos belgas e holandeses...”( sabe-se que a Madeira faz parte do roteiro na procura de vítimas desta raça animalesca, que Jardim tenta ocultar, negando, estupidamente, a evidência)

(...) “Longa vida ao Chefe Supremo das Forças Armadas da Região Autónoma da Madeira e Escanção-mor da Confraria da Aguardente de Cana do Paul da Serra !” ( É incrível como ele aguenta tanto álcool ! )

Da longa lista, no jornal, dos feitos do “Patriota” do “Grande Democrata”, como tem sido sebaciamente bajulado, (ver meu post “El Rei Momo”) respiguei q.b., apenas para lembrar o que ninguém honestamente pode negar, a arrogância grotesca do palhaço, que, volta e meia, manda tocar o “hino da independencia” com que tem desafiado os responsáveis, “politicamente cobardes”, que o têm visitado, sobretudo por altura das eleições legislativas.

Finalmente, aparece um primeiro ministro que resolve metê-lo na ordem. O homem, destituido do menor senso comum, fala em retaliação. Retaliar como, contra quem ?

Eis o ensejo que o jornal Público aproveita, para, sarcasticamente ,contar os seus feitos gloriosos, as suas terríficas ameaças, com que, estou em crer, porá fim à sua redícula manipulação do “medo político” dos demagógicos bajuladores

Agora sim, El Rei Momo, acabará no Senado, onde os seus amigos lhe desferirão o “golpe político” mortal.
Até tu Brutus ! Clama Caio Júlio César ao golpe de misericórdia daquele a quem ele queria como filho
O bajulador abandona o bajulado quando este cai na desventura ( ver meu post: ELOGIO/BAJULAÇÃO; AUTO ESTIMA /VAIDADE )
***
PS: À medida que se aproxima o fim do seu reino de irresponsabilidade financeira ,à custa do Orçamento do Estado, o presidente do Governo Regional da Madeira entra em estado de destrambelhamento político. Mas a responsabilidade pela situação a que se chegou deveria ser compartilhada por quem, ao nível do Estado, lhe permitiu fazer o que quis durante este tempo todo. - vital moreira

domingo, outubro 08, 2006

ESPECTÁCULO DA MÁ-LÍNGUA

O meu mais recente post ,com o título “MÁ TELEVISÃO OU IMPRENSA MERCANTILISTA”, mereceu um comentário ajustadíssimo de meu dilecto amigo Carlos Ferreira. Está de acordo com a minha censura ao programa da má língua na TVI e transporta-a para outro da mesma ou pior qualidade ao começar com a pergunta : “Então e a outra ?”
A “outra”, é querer referir-se, penso eu, à “SIC” e o programa que ele veementemente condena será o “Talk-show” diário com Fátima Lopes. Usa expressões e termos perfeitamente adequados como: “gestos delambidos" (na imagem vêem-se de quem são) ; "falar da vida alheia em nojenta mexeriquice"; "em autêntica conversa de soalheiro..." E termina com a justíssima sentença :
Num desfiar de futilidades que, mais que empobrecer o espírito, o embrutece!
Que posso eu mais acrescentar para denunciar o mau serviço que a SIC, com este Talk-show, que traduzo por espectáculo da má-língua, presta a um povo carecido de uma boa formação cultural.

terça-feira, outubro 03, 2006

MÁ TELEVISÃO OU IMPRENSA MERCANTILISTA


Cerca do meio dia e trinta, sexta feira, dia 29 de Setembro passado, liguei a televisão para o canal da TVI.
Faço-o, por vezes, não pelo (des)prazer do seu programa, àquela hora, mas sim pela curiosidade, ou mais pela informação que se impõe ao meu espírito colher, para uma análise, visando os aspectos
civilizacionais( positivos ou negativos)que aquele espectáculo possa transmitir à sociedade.

A minha observação, neste âmbito, não tem constatado outras influências que não sejam francamente negativas, não importa sob que ângulo se aponte a objectiva: recreativo, lúdico ou cultural.
Liguei e vi seis mulheres(1) e um homem sentados em semi-círculo a fazer “tricot” e a dar à língua . As mulheres são conhecidas, nestes espectáculos, mas confesso que não lhes conheço as graças ; O homem, era e tem sido, nem mais nem menos que, o apresentador Manuel Luís Goucha.

O meu desagrado por estes desconcertos do soalheiro tem ficado por uma revolta íntima e a escolha imediata de outro canal, à procura de um antídoto, para me depurar o espírito. Só que, desta feita, o nível da linguagem era de tal maneira baixo, de tal ordinarice que não me contenho calado e aqui, com quem hipoteticamente me lê – os meus amigos – procuro a compreensão para o meu desabafo:

Quando fiz a ligação, já não apanhei o tema da má-língua. Só pude ouvir algumas fortes obscenidades das quais registei a última, antes de mudar de canal:
Uma das mulheres pergunta a outra :
- “Se para viveres até aos cem anos tivesses de deixar de fazer sexo...”
- “Com homens deixava, mas há outras maneiras de o fazer...”

Note-se que não se trata de uma cena teatral com um sentido humorístico ou quejando, mas de uma comunicação para um público que não estará prevenido para tal desconchavo.

Alguma imprensa, tornou-se absolutamente instrumento mercantilista, esquece os valores da cultura e vale-lhe, tão-somente, aumentar as audiências à custa da ignorância dum povo para negociarem a publicidade.
Nota (1) : mulheres do soalheiro

domingo, setembro 24, 2006

ELOGIO / BAJULAÇÃO;
AUTO-ESTIMA / VAIDADE

Publicado em " O Comércio da Póvoa ", n.º 16 de 22.04.04
(... )
Proponho-me hoje reflectir sobre ambientes, atitudes e estados de personagens ou actores de cena no palco da vida .
Assim as dicotomias, elogio / bajulação; auto-estima / vaidade, servem-me de tema para desenvolver, analisando, de meu ponto de vista, os modos de acção ou comportamento dos indivíduos que, de algum modo, assumem voluntariamente responsabilidades sociais.

Registe-se a advertência de que a minha dissertação não pretenderá atingir directa ou insinuadamente, alguém do nosso restrito espaço ou tempo actual, mas não nego que, ao escrever, estou a pensar em factos e pessoas que ocupam a minha memória de já longa e experimentada existência .

Elogio, por oposição a bajulação , é que aquele é sincero e esta é hipócrita ; um vem do coração, a outra da boca . Alguém disse: “não tenha tanto medo dos inimigos que o atacam como dos amigos que o bajulam”
Pessoalmente, prefiro observar a obra ou o trabalho bem concebido, enaltecendo o seu promotor ou realizador a apontar defeitos de que eu próprio me teria de recriminar. Nem os santos são perfeitos. O elogio sincero – passe o pleonasmo – estimula a auto-estima e o elogiado, intimamente, compromete-se a corresponder ao conceito que dele fazem. Agradece pela acção, mais que por palavras . Li algures que “um homem, seja qual for a sua situação, faz um melhor trabalho sob um espírito de aprovação que sob o espírito da crítica”.

A bajulação, pelo contrário serve ao vaidoso. Consiste em dizer a este , justamente, o que ele pensa de si mesmo. O vaidoso é atoleimado. Enfatuado, normalmente é arrogante. Julga-se superior a tudo e todos. Vangloria-se de algum sucesso que atribui fraudulentamente a si , tentando obscurecer o mérito de outrem. O bajulador não o serve mas serve-se dele . Rebaixa-se para obter mercês, mas quando aquele cai na desventura é o primeiro a desprezá-lo

. A auto-estima é outra coisa . O indivíduo justo, procura corrigir os seus erros e agir de modo a ser positivamente apreciado e, em consequência, gostar de si próprio com modéstia. Reconhece os amigos, sem olhar à sua condição social. Preza a justa apreciação do seu trabalho e agradece-a como um incentivo a prossegui-lo.

Não julgo porém que não deva ter a preocupação de registar para a história o sucesso da sua dedicação à Comunidade. Um nome prestigiado, sobreleva os valores materiais que possa transmitir aos seus..
É nesta coerência que ma apraz observar “o que está bem” e louvar ( não louvaminhar) as pessoas que concorrem ou concorreram para esse estado de aprazimento público. Digo “o que está mal”, nunca será de mais repetir , com observância do bom senso, para não ferir susceptibilidades. Faço-o com uma constatação e espírito cooperante quando se trata de despertar a atenção para o que será possível corrigir ou melhorar, nunca pelo (des)prazer da censura. Contudo, a condenação incisiva , acontece quando do comportamento desleixado, aberrante ou criminoso dos indivíduos, face às regras de boa convivência ou valores sociais.

sábado, setembro 16, 2006

AVER-O-MAR - PAISAGEM TÍPICA


Estes “montes de sargaço”, cobertos com colmo, para relembrar uma actividade intensa, relevante para a economia das gentes de Aver-o-Mar, resultam de uma ideia do Presidenta da Junta, com o objectivo de atenuar a aridez paisagística dos espaços abandonados à acumulação de lixos e estendais de miséria que, em parte, conseguiu debelar .
É também, de sua imaginação, um motivo turístico, que lhe foi possível criar, a despertar a curiosidade dos visitantes pela cultura do povo averomarense, aqui, assinalando a actividade característica do “seareiro”, trabalhador da terra e do mar.
Eram, então, acumulados ao longo da estrada marginal para facilitar o carregamento e transporte pelos compradores que utilizavam o seu conteúdo como fertilizante dos terrenos areentos, geralmente no cultivo da batata e da cebola.
Esta actividade, da apanha do sargaço, praticamente acabou, porque os campos foram transformados em estufas de produtos hortícolas, adubados com o lixo da cidade transformado em fertilizante de mais rápida assimilação, compatível com o período mais curto de desenvolvimento e sazonação das plantações.
De princípio, a laboração fazia-se nas modalidades de barco, de cortiço ou de beira.
De barco ou de cortiço, o instrumento da apanha era a ganchorra; na beira, na "comprente" ( incorrecção de complente, maré cheia) era a graveta. Estes utensílios eram característicos dos sargaceiros de Aver-o-Mar. Noutras localidades, como em Apúlia usavam o mais comum, que seria o ganha-pão ou quejandos.
Por isso, seria interessante, na impraticabilidade de colocar naquela cercadura um exemplar de cada dos utensílios que refiro, seria interessante, digo, expô-los, em imagens num painel, com as respectivas legendas.

segunda-feira, setembro 11, 2006

PÓVOA AMADA


A Póvoa está demasiado atraente e oferece-se , em cada ano, mais donairosa, a novas paixões.

Neste particular, a grande dama, é bem servida pelos seus mordomos que se esmeram em a aprestarem de vantajosos equipamentos e a revestirem-na de requintados adereços. E assim a apresentam em constantes eventos, culturais e festivos, tornando-a progressivamente mais cativante e ampliando a longitude da sua notoriedade .
Não tenho dúvida alguma em fazer esta afirmação, porquanto pessoalmente constato, que a nossa cidade está bem cuidada em toda a sua área, desde as praias ao seu limite do interior. Bem empregado o pessoal de jardinagem e limpeza, redobrado na época balnear que ora finda.

Não faltou imaginação aos promotores da organização de festas e divertimentos. Houve a manifesta preocupação de uma actividade lúdica constante.

Gente de todos o quadrantes geográficos e camadas sociais, invadiu a nossa terra, como se fora a prometida para um descanso, mais psicológico ( do stress) do que físico. De férias bem passadas se hão-de sentir felizes os nossos invasores, refeitos para um novo período, naturalmente árduo de luta, no seu posto mais ou menos avançado, do campo social.
Passavam por mim pessoas que falavam, entre si, inglês francês ou espanhol... E também emigrantes que chamavam os seus "cheris pour aller à la plage" . Será possível um espaço mais cosmopolita que este ?

Comecei por dizer que a Póvoa está “demasiado” atraente. Por que sinto isso? Imagine-se a multidão compacta que nem espaço me deixava para o meu caminhar , exercício de manutenção, recomendado pelo médico. E, como eu, meus amigos, de que me queixo também de dificilmente os encontrar para a imprescindível saudação jovial.

Para ilustrar este meu texto, permiti-me copiar a imagem do blog“ (garatujando.blogs.sapo.pt) de meu dilecto amigo Carlos Ferreira. Consultá-lo para apreciar a sua arte, mormente no que se refere à Póvoa , é recomendação que aqui deixo.
Não quero terminar sem apresentar congratulações aos mordomos, que tão bem têm servido a nossa PÓVOA AMADA.