quarta-feira, dezembro 20, 2006

IRONIA ESQUIZOFRÉNICA

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Aqui há tempos, ouvi, pela rádio, um médico, de elevada posição social, ditar um diagnóstico sobre determinadas entidades que, com certeza, não têm consciência da realidade do mundo em que vivem, não se dão conta que sofrem de “esquizofrenia”(disse ele). Os doentes que o clínico citou, um grupo de três , exemplares de uma vasta classe, intitulando-se "o Paciente Social" que, pelos vistos, se imaginam num mundo “fantástico”(termo muito em voga, hoje) em que tudo se ordena e resolve, pela prevalência do diálogo entre os elementos colaborantes, para o aclaramento e solução das questões de interesse público. Chamam a isso procedimento democrático.
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Dissequemos com o bisturi de cirurgião os pressupostos que o levaram aquela sentença:
- “são esquizofrénicos” !
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- O médico não é de competência psicológica e, actualmente, o seu múnus é, exclusivamente, de altíssima responsabilidade administrativa, merecendo a confiança de quase a totalidade de um povo que o elegeu, o que lhe vai muito bem com a sua eminente personalidade.
- Os indivíduos sentenciados pelo ex-facultativo, mostraram uma flagrante incoerência quando contestaram o aumento proposto das tarifas de recolha do lixo e das facturas da água. Só por um desvio patológico de suas mentes, podem pensar que as emblemáticas obras em curso, merecedoras do seu pleno e entusiástico acordo, se poderão concluir sem algum sacrifício dos munícipes, aliás, por elementar justiça , os mais directamente beneficiados.
- Já basta termos de lamentar o incumprimento da tal “intervenção fantástica” nas praias de Aver-o-Mar. Mas, o senhor Presidente , em “ocasião oportuna”, declarou, solenemente, que fará tudo o que prometeu ainda dentro do seu mandato. Por indesmentível mérito próprio, a sua reeleição acontecerá sucessivamente, ad aeternum , mas ia poder jurar que a promessa é para satisfazer dentro da sua actual etapa. Deo gratias !
- Finalmente, só por uma questão de deformação profissional, o que acontece a muito boa gente, o ex-médico levou à conta de sintomas os elementos considerados e, vai daí, o diagnóstico:
- São esquizofrénicos !

quarta-feira, dezembro 13, 2006

B L O G O S F E R A

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"BLOGGER POVEIRO"

Blogosfera é o ciberespaço, espaço virtual constituído por informação que circula nas redes de computadores e telecomunicações. Cibernauta - pessoa que utiliza a Internet regularmente.

Daí, imaginar-se um universo, um cosmos, onde gravitam astros e asteróides com os cibernautas a tentarem a descolagem de suas órbitas , atraídos pela magia da descoberta de novos mundos e com eles estabelecerem comunicação.
Para além do encanto das ligações anulando distâncias e estabelecendo, sem peias, permuta e confronto de ideias entre os comunicadores, os usuários dos bloggers , há as relações humanas, de empatia, de solidariedade, que acontecem mesmo entre desconhecidos, exactamente favorecidas pela utilização dessa ferramenta universal

A criação do Blogger Poveiro (blogs e sites poveiros) é, neste capítulo, uma ideia sublime. Digamos que é um pequeno espaço de globalização, que facilita o conhecimento e a consulta dos diversos blogs nele alistados. Está, pois, de parabéns o seu criador.

Muito de lamentar seria se este espaço de eleição fosse conspurcado pela indecência, pela obscenidade que são, eles mesmos, alguns blogs anónimos. Espero bem que essa cobardia seja definitivamente afastada desta colecção que tem a promessa ou todas as garantias de sucesso.

quarta-feira, dezembro 06, 2006

SER E SABER SER POLÍTICO 1

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Esclarecimento

Para prevenir a hipótese de não ter sido muito claro no meu anterior post e, por isso, o consequente receio de poder ser mal interpretado, quanto ao objectivo pretendido, vou retomar o tema do título, reabrindo-o, exactamente, com o termo chave, “altivez” , inserto na passagem que transcrevo:

- “Às constantes provocações de seus agressivos antagonistas, a personalidade forte, defende-se com o escudo de sua altivez. Não cai na asneira de usar arma idêntica de arremesso.”

Altivez , que no caso concreto, a nível local , em que o presumível leitor pode pensar que me refiro, seria justo interpretar como soberba; arrogância; intolerância e, daí, concluir-se não ser, o termo, atributo da entidade provocada, mas sim do sujeito provocador . Realmente, assumir a posição de inalterável arrogância de “ quero, posso e mando”, é absolutamente condenável em democracia, uma provocação para quem tem o legítimado direito de ser ouvido em todos os actos ou projectos de interesse da comunidade. A afirmação das posições opostas faz-se pela prevalência da argumentação, em diálogo vivo, mas de respeito pela personalidade do adversário, em alternância de ideias ou pontos de vista, não como inimigo.

Altivez, no sentido em que empreguei o termo e numa perspectiva virtual , de abstracção, meramente pedagógica, significaria: elevação; brio; orgulho; majestade; nobreza .

Assim, fica concretamente esclarecido que, repito, “às constantes provocações de seus agressivos antagonistas, a personalidade forte, defende-se com o escudo de sua altivez . Não deveria cair na asneira de usar arma idêntica de arremesso.

domingo, dezembro 03, 2006

SER E SABER SER POLÍTICO

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Apenas uma pequena introdução para dizer que, o que a seguir exponho, não tem uma finalidade ou rumo pessoal concretamente definido mas, tão-somente, porque quero deixar aqui publicado o meu conceito sobre o tema que sintetizo no título acima . Esse é o meu isento e único objectivo.

Estar, hoje, na política tem as suas regras, nem sempre atinentes a uma boa formação moral.
Contudo há , felizmente ainda, quem não abdique da sua dignidade, da sua honradez de carácter, não obstante saber que, para alcançar e se manter em lugar politicamente relevante, não poderá, em frequentes situações, usar da frontalidade inerente à lisura do seu corrente e normal comportamento.
Não terá, necessariamente, de ser dissimulado, mas deverá saber acautelar-se, munindo-se de boas armas, para se defender daqueles que o são. Prevenir-se contra o fingimento, a astúcia, a manha de seus inimigos e, sobretudo, de falsos amigos ( nesta área é onde existem os maiores traidores), por pretensão do lugar que ocupa, ou por despeito e inveja de seu elevado prestígio social terá de ser a preocupação da personalidade moralmente sólida para não ter, por incauto, de se queixar de vitimização.
Às constantes provocações de seus agressivos antagonistas, a personalidade forte, defende-se com o escudo de sua altivez. Não cai na asneira de usar arma idêntica de arremesso. A cilada da tentação da resposta atá-lo-á, com os liames do descrédito, perante o cidadão informado que saberá distinguir e compensar a probidade do político que ele respeita e, por ventura, elegerá para um hipotético cargo público de responsabilidade política.

domingo, novembro 26, 2006

T A L A S S O T E R A P I A

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"Manuel Agonia investe em unidade de Talassoterapia em Aver-o-Mar"
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Sob este título, nos periódicos locais, foram prestadas informações pormenorizadas de que deduzi estar-se perante uma intervenção não fantástica, mas real, a curto prazo. Deve ser considerada como a mais vantajosa e promissora obra de valor turístico nesta vila, cujas praias têm uma aliciante beleza natural. São fascinantes e tentadoras do desfrute de seus admiradores. Estes são todos os que, com os olhos, têm o prazer de as mirarem, do ar tonificante respirarem, o regalo de nas suas límpidas águas mergulharem e sobre suas brancas areias poderem repousar
Ao reconhecer o interesse público do projecto , a Câmara municipal deu um forte impulso à sua concretização que estará agora apenas dependente do parecer das instituições estatais quanto ao seu potencial interesse Nacional (PIN)”
O projecto mereceu o elogio unânime dos vereadores socialistas e social-democratas”.

É de uma estância de saúde que se trata , mas para além da “estrutura de talassoterapia terá uma unidade hoteleira acoplada”.
Imagina-se a mais-valia para a Póvoa. Para além dos postos de trabalho que se criam pode imaginar-se um pólo de atracção, um núcleo a irradiar linhas de força para o desenvolvimento e expansão de outros focos de interesse público ou privado que se sustentem para além do veraneio.
Imaginativo e empreendedor é o empresário de cuja ousadia a grande Póvoa tem colhido benefícios. Haja em vista a meritória criação do grande estabelecimento hospitalar “Clipóvoa”. Apenas este exemplo para definir e confiar na acção do homem que jamais quer estar parado.
O nosso Município, com toda a justiça, propõe-se derrubar as barreiras burocráticas que possam impedir ou retardar a OBRA Confiemos no sucesso da sua intervenção que desejamos, desde já, aplaudir.

Diz-se que está prevista a instalação numa praia a que alguém resolveu denominar “praia das velas”. Estranho essa designação. Eu que, como pescador amador, vezes sem conta, de noite ou de dia, calcorreei todas as reentrâncias que a imagem mostra, desconheço tal praia. Será que quereriam dizer “praia das canas” , também chamada “praia da caninha”, muito próxima do “cabo de carreira” dos penedos de Santo André ?
Pois, ali, naquele areal, ao abrigo daquela penedia que vai pelo mar dentro, o majestoso trono de Neptuno, ali, naquele amplo espaço onde, na imagem, se divisa o valo verde de chorões, é que ficaria bem implantada a talassoterapia e o edifício do hotel.

domingo, novembro 19, 2006

A PROMETIDA "INTERVENÇÃO FANTÁSTICA " EM AVER-O-MAR

belas ruinas - "grande atracção turística nas praias" - Aver-o-Mar

O fantástico não se vê. Isto sim , é o real ! É piramidal! É tão antigo como as pirâmides do Egipto ! Tem o mesmo valor histórico ! Não se meta, aqui, o "camartelo do progresso". Se o fizerem, os averomarenses clamarão contra a barbária!

sábado, novembro 18, 2006

. . .MEU CONCEITO DE CRÍTICA

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Ainda a propósito da “Candeia de Demóstenes”, ocorre-me a referência à reacção de determinados políticos da nossa proximidade face à critica a que, pelos seus cargos de responsabilidade social, estão naturalmente sujeitos.

Se a apreciação pública que deles se faz lhes é manifestamente elogiosa, imagina-se que ficam ufanos mas, fazem questão de se mostrarem superiores, não reparando nos agentes ou autores do elogio: estes, nem em bicos de pés, ficam à altura do seu pedestal. A sua cabeça, laureada pelos louvaminheiros, não admite que possa haver alguém que, assim como os enaltece por actos ou comportamentos meritórios, use da mesma honestidade e isenção para os censurar pelas acções ou actividades consideradas menos ajustadas a personalidades que, por princípio, se obrigam a bem servir a comunidade que, da sua empenhada acção, legitimamente, espera justos benefícios .

Fazer crítica não é, necessariamente, dizer mal, como vulgarmente se entende; dizer bem, também não é, reversamente, louvaminhar como, lamentavelmente, o fazem os aduladores, tão do agrado, e merecendo favores, dos adulados.

Em suma, crítica, de meu senso, não será, nunca, maledicência por (des)prazer ou má vontade contra quem, hipoteticamente, não mereça simpatia do autor.

Criticar comportamentos, acções ou obras de entidades políticas, na área de sua responsabilidade, não é assim tão simples como poderá parecer ao cidadão pouco ou mal informado. Este objectivo carece de plena isenção e honestidade do agente crítico que, ainda por imperativo de credibilidade , deverá valer-se de uma argumentação sólida para, categoricamente afirmar o seu parecer .

Este é o conceito de crítica de que eu, aqui, declaro firmemente comungar .
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Veja-se, em arquivo de Setembro, o post : "ELOGIO / BAJULAÇÃO. - .AUTO-ESTIMA / VAIDADE"

sábado, novembro 04, 2006

COM A CANDEIA DE DEMÓSTENES À PROCURA DE UM HOMEM

A propósito da imagem e o que ela confirma do comportamento de certos políticos, ocorre-me a metáfora da “candeia de Demóstenes” :

Demóstenes, grande orador e político grego, de candeia acesa pelas ruas de Atenas, procurava, em vão, um homem...

A figura que aqui se vê, a um nível inferior e sorrindo para agradar à que aparece sobranceira e condescende em estender-lhe a mão, não tem, com toda a certeza, a mínima semelhança com a estatura moral do homem que o filósofo, debalde, buscava .

Pode dizer-se que ambos se cumprimentam reconhecendo-se mutuamente pela baixeza da sua dignidade. Sim, o mínimo que me permito censurar é a sua falta de amor próprio. As suas consciências moldam-se e acertam-se pelas conveniências políticas, em tempos oportunos, para ambos.

O senhor, o de maior estrutura física, na sua entrevista pela jornalista Judite de Sousa e, reiteradamente, em público, sempre que questionado, diz serem mentira todas afirmações de desconsideração que proferiu acerca do Continente. Nega o que tem sido por demais evidente, inclusive a chantagem da ameaça da independência. Agora diz: “amo a minha pátria que é Portugal” ; “lutando pela Madeira, sou português a querer o melhor para o meu país” . É mais ou menos com isto que, em substância, se afirma “o grande patriota”

Do outro, do baixinho, o menos de que se pode falar e é por demais suficiente, é a sua falta de brio da sua postura submissa, a tocar as raias da humilhação.
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O cúmulo do ridículo, é que, por último, os papeis parecem inverterem-se: o maior, o que tinha desprezado o mais pequenino, promete a este que se ele, "grande amigo", for primeiro ministro, como augura, estando reformado da política, se prestará a ser o seu motorista.
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Sendo assim, com o descrédito deste exemplo, Demóstenes, hoje, de candeia acesa pelo caminho da política , encontraria um homem ?
Nestas tristes figuras, não, com certeza !

sexta-feira, outubro 27, 2006

O PRESTÍGIO DO PROFESSOR

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Nesta circunstância, de todo o barulho a que a classe docente, actualmente, se entrega para reclamar os seus direitos, que julga postergados, é, de meu parecer, oportuno, reeditar neste blog, o texto que, no jornal " Comércio da Póvoa" de 20 de Outubro de 1994, publiquei com o título:
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A MINHA HOMENAGEM AO PROFESSOR PRIMÁRIO

Tenho profundamente arreigado na memória aquilo a que poderei chamar o meu primeiro e solene acto público.

É verdade, prevenido com muitas recomendações, tremendo de medo e de ansiedade, parecendo também alegre e feliz, parto com um pequeno bando a caminho da “ Escola dos Sininhos”. Todos, de cara bem lavada e de fatinho domingueiro, saímos de Aver-o-Mar, muito cedo para nos encontrarmos, na Póvoa , na sua casa da Praça do Almada , com a Senhora Professora, ainda a tempo de recebermos os derradeiros conselhos, antes do exame.
Já não são ralhos, advertências ou receios que ela nos transmite, mas, sim, incentivos e a convicção que cada um de nós - ela dirige-se a cada um em particular – está perfeitamente apto a passar no exame.

Era a atitude psicologicamente correcta, no momento próprio.

Como nós, outros bandos de outras freguesias abandonavam os seus ninhos a caminho do final da etapa, meta donde alguns se desgarrariam das origens, encetando , sozinhos, largos voos para outras paragens prometedoras de melhor vida que a dos seus progenitores.

Aquele exame público da 4.ª classe era realmente o fim dum duro ensaio de voo que tínhamos que fazer , não sem algumas bicadas dos nossos mestres que não admitiam fracas vontades ou preguiças. Eram dolorosas as bicadas? Se eram, na altura, penso que todos, sem excepção, têm-nas, hoje, à conta de bem empregadas e narram-nas, aos filhos, com saudade e referências carinhosas aos seus autores.
Na minha conta, tenho que me queixar das muitas que não levei, porque, das poucas que sofri, não me lamento de nenhuma.

Foi minha professora a Sr.ª D. Maria Clementina Cunha, saudosa senhora , conhecida, no seu meio, por D. Mimi, ligada à família Santos Graça pelo casamento com o Sr. Alfredo Graça e mãe do distinto médico que tem o nome próprio do seu progenitor.

Ainda hoje me interrogo como era possível para, além de conter, ensinar quatro classes de passarada chilreadora e turbulenta, que, não cabendo nas carteiras, se empoleirava em grandes bancos, no funda da sala, e ainda se acocorava no chão ?

Que métodos, que estratégias,a adoptar para tal ensino ?

Mesmo assim, todos os anos, havia os exames da 4.ª classe e os alunos propostos, passando por prova oral pública, com a assistência dos pais e de outros educadores, não deixavam ficar mal a sua professora. Não me esquecerei, nunca, do sorriso de satisfação e da última carícia que então dela recebemos, quando cada um de nós lhe narrava a sua prova e lhe comunicava o bom êxito do seu exame.

Como muitos outros da sua geração e ainda de gerações a seguir e mais recentes, aquele era o momento mais gratificante de todo o esforço sobre-humano de um duro trabalho e de angústia, sempre reiniciado, em cada ano, obrigatoriamente, até aos 60 anos de idade.

E que responsabilidade, meu Deus ! Do seu trabalho dependia, até para aqueles que prosseguiam os seus estudos , toda uma base sólida para o edifício completo da sua formação

Hoje, sem querer censurar, mas, forçosamente, constatar, que não faltará o brio profissional a muitos professores, que os tempos são outros, os valores mudaram e, comparativamente, o menor sacrifício é mais bem pago.

O pedagogo, no sentido etimológico da palavra, acabou !
E, para terminar, só mais esta constatação: uma professora do “ensino básico” recentemente aposentada, aufere mais que o total das pensões dos seus dois progenitores, também professores primários aposentados.

E, para acabar, mesmo, só falta o lugar comum: “ A culpa é do SISTEMA !”

Dimas de Castro Maio

domingo, outubro 22, 2006

PAGAR O JUSTO PELO PECADOR


No tempo em que, no Colégio D. Nuno, me preparava para fazer o exame de transição do “Curso do Comércio” ,que então tinha completado, para o “Curso Liceal” era , nessa altura, professor de Matemática o médico poveiro, Sr. Dr. Vieira Trocado.

A sua inteligência superava qualquer dificuldade de adaptação a esta sua segunda actividade. Era conhecedor da matéria que, muito bem, sabia transmitir aos seus alunos.

Tinha também uma particularidade que eu aprecio: a jovialidade, e não deixava fugir uma oportunidade para descarregar o seu constante bom humor:

Um colega de turma, João Freitas de seu nome ( que veio a ser Director do Hospital Psiquiátrico de Gelfa, situado entre Vila Praia de Âncora e Caminha), irrequieto por natureza, durante uma aula do Dr. Vieira Trocado, teria feito barulho com um objecto, caído da carteira, interrompendo o nosso bom professor em plena explicação da matéria sumariada.
Acto contínuo, o mestre, que apontava para o quadro com um comprido ponteiro, voltou-se e serviu-se do mesmo para chegar ao cocuruto do amigo Freitas .

- Não fui eu ! - diz o suspeito
- Ah não ?! – respondeu, o sempre folgazão, Dr. Trocado. Olha, Deus Nosso Senhor, que é Deus Nosso Senhor, fez pagar o justo pelo pecador e eu que nem santo sou...

Ocorreu-me esta facécia para a introdução de um assunto sério, mas que o posso encabeçar com o mesmo título : PAGA O JUSTO PELO PECADOR

Quero falar da actual revolução do ensino empreendida pela Ministra da Educação que tem provocado manifestações e greves dos professores acicatados pelos sindicatos, nem sempre de maneira convenientemente ponderada.

Serão justas as medidas que pretende empreender, das quais os profissionais se dizem vítimas, bodes expiatórios, do mau sucesso da educação, bem notório, que, sempre a outrem, fora da sua esfera da acção, atribuem ?
Será assim, globalmente considerando a minha classe, não admitindo que o rebanho, actualmente, está intensamente eivado de ovelhas ranhosas ?
E os sindicatos têm agido da maneira mais concertada com os verdadeiros interesses dos seus inscritos ? O exagero das suas exigências, nas actuais circunstâncias, levarão a bons resultados? Não serão contraproducentes ?

Pense-se nestas questões. Medite-se nos exames, abolidos, dos alunos, a que os docentes foram dispensados de apresentar, dando espaço ao facilitismo dos desleixados. Recordem-se as fraudes dos destacamentos e dos atestados médicos; Ajuíze-se do absurdo do horário Zero...

O corolário destas questões patenteia-se publicamente na constatação da ignorância de indivíduos que se exibem na imprensa ou se expõem na TV, sobretudo nos concursos, onde pretendem demonstrar uma competitiva cultura geral. Muitos são os que falham redondamente na matéria que deveriam ter aprendido na escola. Cito apenas um clamoroso exemplo que foi, recentemente, repetido:
A questão foi apresentada na categoria de Língua Portuguesa, e a concorrente pediu, imagine-se, difícil :
- Das formas verbais: achastes; achais; achareis, diga qual é a da segunda pessoa do plural, do presente do indicativo.
A senhora que era militar da G.N.R. hesitou, o apresentador ajudou e, finalmente, respondeu certo: - achais. Contudo houve, dos adversários, vários que erraram.
Isto já era inadmissível num terceira classe da escola primária do meu tempo de menino.

domingo, outubro 15, 2006

JARDIM VAI RETALIAR

“ JARDIM VAI RETALIAR”

Com testes subterrâneos, crédito à Cofidis e mais 50 anos à frente do Governo Regional.

É deste modo que o Jornal “ PÚBLICO” no seu suplento, “O Inimigo Público” destaca a gloriosa atitude do "Querido Líder Jardim, presidente para a eternidade, amado por milhões de madeirenses e temido por biliões de cubanos” ( os habitantes da Região Autónomo e os do Continente, nós os cubanos, como muitas vezes assim refere)
“A Pátria pode dormir descansada, porque o Virtuoso Marechal dos Ares sabe apontar as anti-aéreas para o sítio de onde vêem os charter a abarrator de pedófilos belgas e holandeses...”( sabe-se que a Madeira faz parte do roteiro na procura de vítimas desta raça animalesca, que Jardim tenta ocultar, negando, estupidamente, a evidência)

(...) “Longa vida ao Chefe Supremo das Forças Armadas da Região Autónoma da Madeira e Escanção-mor da Confraria da Aguardente de Cana do Paul da Serra !” ( É incrível como ele aguenta tanto álcool ! )

Da longa lista, no jornal, dos feitos do “Patriota” do “Grande Democrata”, como tem sido sebaciamente bajulado, (ver meu post “El Rei Momo”) respiguei q.b., apenas para lembrar o que ninguém honestamente pode negar, a arrogância grotesca do palhaço, que, volta e meia, manda tocar o “hino da independencia” com que tem desafiado os responsáveis, “politicamente cobardes”, que o têm visitado, sobretudo por altura das eleições legislativas.

Finalmente, aparece um primeiro ministro que resolve metê-lo na ordem. O homem, destituido do menor senso comum, fala em retaliação. Retaliar como, contra quem ?

Eis o ensejo que o jornal Público aproveita, para, sarcasticamente ,contar os seus feitos gloriosos, as suas terríficas ameaças, com que, estou em crer, porá fim à sua redícula manipulação do “medo político” dos demagógicos bajuladores

Agora sim, El Rei Momo, acabará no Senado, onde os seus amigos lhe desferirão o “golpe político” mortal.
Até tu Brutus ! Clama Caio Júlio César ao golpe de misericórdia daquele a quem ele queria como filho
O bajulador abandona o bajulado quando este cai na desventura ( ver meu post: ELOGIO/BAJULAÇÃO; AUTO ESTIMA /VAIDADE )
***
PS: À medida que se aproxima o fim do seu reino de irresponsabilidade financeira ,à custa do Orçamento do Estado, o presidente do Governo Regional da Madeira entra em estado de destrambelhamento político. Mas a responsabilidade pela situação a que se chegou deveria ser compartilhada por quem, ao nível do Estado, lhe permitiu fazer o que quis durante este tempo todo. - vital moreira

domingo, outubro 08, 2006

ESPECTÁCULO DA MÁ-LÍNGUA

O meu mais recente post ,com o título “MÁ TELEVISÃO OU IMPRENSA MERCANTILISTA”, mereceu um comentário ajustadíssimo de meu dilecto amigo Carlos Ferreira. Está de acordo com a minha censura ao programa da má língua na TVI e transporta-a para outro da mesma ou pior qualidade ao começar com a pergunta : “Então e a outra ?”
A “outra”, é querer referir-se, penso eu, à “SIC” e o programa que ele veementemente condena será o “Talk-show” diário com Fátima Lopes. Usa expressões e termos perfeitamente adequados como: “gestos delambidos" (na imagem vêem-se de quem são) ; "falar da vida alheia em nojenta mexeriquice"; "em autêntica conversa de soalheiro..." E termina com a justíssima sentença :
Num desfiar de futilidades que, mais que empobrecer o espírito, o embrutece!
Que posso eu mais acrescentar para denunciar o mau serviço que a SIC, com este Talk-show, que traduzo por espectáculo da má-língua, presta a um povo carecido de uma boa formação cultural.

terça-feira, outubro 03, 2006

MÁ TELEVISÃO OU IMPRENSA MERCANTILISTA


Cerca do meio dia e trinta, sexta feira, dia 29 de Setembro passado, liguei a televisão para o canal da TVI.
Faço-o, por vezes, não pelo (des)prazer do seu programa, àquela hora, mas sim pela curiosidade, ou mais pela informação que se impõe ao meu espírito colher, para uma análise, visando os aspectos
civilizacionais( positivos ou negativos)que aquele espectáculo possa transmitir à sociedade.

A minha observação, neste âmbito, não tem constatado outras influências que não sejam francamente negativas, não importa sob que ângulo se aponte a objectiva: recreativo, lúdico ou cultural.
Liguei e vi seis mulheres(1) e um homem sentados em semi-círculo a fazer “tricot” e a dar à língua . As mulheres são conhecidas, nestes espectáculos, mas confesso que não lhes conheço as graças ; O homem, era e tem sido, nem mais nem menos que, o apresentador Manuel Luís Goucha.

O meu desagrado por estes desconcertos do soalheiro tem ficado por uma revolta íntima e a escolha imediata de outro canal, à procura de um antídoto, para me depurar o espírito. Só que, desta feita, o nível da linguagem era de tal maneira baixo, de tal ordinarice que não me contenho calado e aqui, com quem hipoteticamente me lê – os meus amigos – procuro a compreensão para o meu desabafo:

Quando fiz a ligação, já não apanhei o tema da má-língua. Só pude ouvir algumas fortes obscenidades das quais registei a última, antes de mudar de canal:
Uma das mulheres pergunta a outra :
- “Se para viveres até aos cem anos tivesses de deixar de fazer sexo...”
- “Com homens deixava, mas há outras maneiras de o fazer...”

Note-se que não se trata de uma cena teatral com um sentido humorístico ou quejando, mas de uma comunicação para um público que não estará prevenido para tal desconchavo.

Alguma imprensa, tornou-se absolutamente instrumento mercantilista, esquece os valores da cultura e vale-lhe, tão-somente, aumentar as audiências à custa da ignorância dum povo para negociarem a publicidade.
Nota (1) : mulheres do soalheiro

domingo, setembro 24, 2006

ELOGIO / BAJULAÇÃO;
AUTO-ESTIMA / VAIDADE

Publicado em " O Comércio da Póvoa ", n.º 16 de 22.04.04
(... )
Proponho-me hoje reflectir sobre ambientes, atitudes e estados de personagens ou actores de cena no palco da vida .
Assim as dicotomias, elogio / bajulação; auto-estima / vaidade, servem-me de tema para desenvolver, analisando, de meu ponto de vista, os modos de acção ou comportamento dos indivíduos que, de algum modo, assumem voluntariamente responsabilidades sociais.

Registe-se a advertência de que a minha dissertação não pretenderá atingir directa ou insinuadamente, alguém do nosso restrito espaço ou tempo actual, mas não nego que, ao escrever, estou a pensar em factos e pessoas que ocupam a minha memória de já longa e experimentada existência .

Elogio, por oposição a bajulação , é que aquele é sincero e esta é hipócrita ; um vem do coração, a outra da boca . Alguém disse: “não tenha tanto medo dos inimigos que o atacam como dos amigos que o bajulam”
Pessoalmente, prefiro observar a obra ou o trabalho bem concebido, enaltecendo o seu promotor ou realizador a apontar defeitos de que eu próprio me teria de recriminar. Nem os santos são perfeitos. O elogio sincero – passe o pleonasmo – estimula a auto-estima e o elogiado, intimamente, compromete-se a corresponder ao conceito que dele fazem. Agradece pela acção, mais que por palavras . Li algures que “um homem, seja qual for a sua situação, faz um melhor trabalho sob um espírito de aprovação que sob o espírito da crítica”.

A bajulação, pelo contrário serve ao vaidoso. Consiste em dizer a este , justamente, o que ele pensa de si mesmo. O vaidoso é atoleimado. Enfatuado, normalmente é arrogante. Julga-se superior a tudo e todos. Vangloria-se de algum sucesso que atribui fraudulentamente a si , tentando obscurecer o mérito de outrem. O bajulador não o serve mas serve-se dele . Rebaixa-se para obter mercês, mas quando aquele cai na desventura é o primeiro a desprezá-lo

. A auto-estima é outra coisa . O indivíduo justo, procura corrigir os seus erros e agir de modo a ser positivamente apreciado e, em consequência, gostar de si próprio com modéstia. Reconhece os amigos, sem olhar à sua condição social. Preza a justa apreciação do seu trabalho e agradece-a como um incentivo a prossegui-lo.

Não julgo porém que não deva ter a preocupação de registar para a história o sucesso da sua dedicação à Comunidade. Um nome prestigiado, sobreleva os valores materiais que possa transmitir aos seus..
É nesta coerência que ma apraz observar “o que está bem” e louvar ( não louvaminhar) as pessoas que concorrem ou concorreram para esse estado de aprazimento público. Digo “o que está mal”, nunca será de mais repetir , com observância do bom senso, para não ferir susceptibilidades. Faço-o com uma constatação e espírito cooperante quando se trata de despertar a atenção para o que será possível corrigir ou melhorar, nunca pelo (des)prazer da censura. Contudo, a condenação incisiva , acontece quando do comportamento desleixado, aberrante ou criminoso dos indivíduos, face às regras de boa convivência ou valores sociais.

sábado, setembro 16, 2006

AVER-O-MAR - PAISAGEM TÍPICA


Estes “montes de sargaço”, cobertos com colmo, para relembrar uma actividade intensa, relevante para a economia das gentes de Aver-o-Mar, resultam de uma ideia do Presidenta da Junta, com o objectivo de atenuar a aridez paisagística dos espaços abandonados à acumulação de lixos e estendais de miséria que, em parte, conseguiu debelar .
É também, de sua imaginação, um motivo turístico, que lhe foi possível criar, a despertar a curiosidade dos visitantes pela cultura do povo averomarense, aqui, assinalando a actividade característica do “seareiro”, trabalhador da terra e do mar.
Eram, então, acumulados ao longo da estrada marginal para facilitar o carregamento e transporte pelos compradores que utilizavam o seu conteúdo como fertilizante dos terrenos areentos, geralmente no cultivo da batata e da cebola.
Esta actividade, da apanha do sargaço, praticamente acabou, porque os campos foram transformados em estufas de produtos hortícolas, adubados com o lixo da cidade transformado em fertilizante de mais rápida assimilação, compatível com o período mais curto de desenvolvimento e sazonação das plantações.
De princípio, a laboração fazia-se nas modalidades de barco, de cortiço ou de beira.
De barco ou de cortiço, o instrumento da apanha era a ganchorra; na beira, na "comprente" ( incorrecção de complente, maré cheia) era a graveta. Estes utensílios eram característicos dos sargaceiros de Aver-o-Mar. Noutras localidades, como em Apúlia usavam o mais comum, que seria o ganha-pão ou quejandos.
Por isso, seria interessante, na impraticabilidade de colocar naquela cercadura um exemplar de cada dos utensílios que refiro, seria interessante, digo, expô-los, em imagens num painel, com as respectivas legendas.

segunda-feira, setembro 11, 2006

PÓVOA AMADA


A Póvoa está demasiado atraente e oferece-se , em cada ano, mais donairosa, a novas paixões.

Neste particular, a grande dama, é bem servida pelos seus mordomos que se esmeram em a aprestarem de vantajosos equipamentos e a revestirem-na de requintados adereços. E assim a apresentam em constantes eventos, culturais e festivos, tornando-a progressivamente mais cativante e ampliando a longitude da sua notoriedade .
Não tenho dúvida alguma em fazer esta afirmação, porquanto pessoalmente constato, que a nossa cidade está bem cuidada em toda a sua área, desde as praias ao seu limite do interior. Bem empregado o pessoal de jardinagem e limpeza, redobrado na época balnear que ora finda.

Não faltou imaginação aos promotores da organização de festas e divertimentos. Houve a manifesta preocupação de uma actividade lúdica constante.

Gente de todos o quadrantes geográficos e camadas sociais, invadiu a nossa terra, como se fora a prometida para um descanso, mais psicológico ( do stress) do que físico. De férias bem passadas se hão-de sentir felizes os nossos invasores, refeitos para um novo período, naturalmente árduo de luta, no seu posto mais ou menos avançado, do campo social.
Passavam por mim pessoas que falavam, entre si, inglês francês ou espanhol... E também emigrantes que chamavam os seus "cheris pour aller à la plage" . Será possível um espaço mais cosmopolita que este ?

Comecei por dizer que a Póvoa está “demasiado” atraente. Por que sinto isso? Imagine-se a multidão compacta que nem espaço me deixava para o meu caminhar , exercício de manutenção, recomendado pelo médico. E, como eu, meus amigos, de que me queixo também de dificilmente os encontrar para a imprescindível saudação jovial.

Para ilustrar este meu texto, permiti-me copiar a imagem do blog“ (garatujando.blogs.sapo.pt) de meu dilecto amigo Carlos Ferreira. Consultá-lo para apreciar a sua arte, mormente no que se refere à Póvoa , é recomendação que aqui deixo.
Não quero terminar sem apresentar congratulações aos mordomos, que tão bem têm servido a nossa PÓVOA AMADA.

segunda-feira, agosto 07, 2006

EL REI MOMO

HAJA UM POUCO DE DIGNIDADE !


A propósito do que me caberá referir, como oportuno, transcrevo, para aqui, o que em 15 e Maio de 2004 escrevi para o jornal “ O Comércio da Póvoa de Varzim” :

Durão Barroso foi à Madeira agradecer a Alberto João a solidariedade do “grande madeirense e grande patriota”. Expressou o seu “muito obrigado” a Jardim “ por tudo o que fez por Portugal”. Afirmou que “a autonomia foi conquistada, em grande parte, devido ao seu esforço”de Alberto João Jardim. Também Pinto Balsemão não poupou elogios à “persistência na revolução tranquila” (?) de Jardim que considerou “ um dos fundadores da democracia portuguesa” (?) a quem o país “deve uma justa homenagem”(?) - Os pontos de interrogação são de minha autoria

Ao “Grande Senhor” vieram-lhe as lágrimas aos olhos com tanta bajulação, mas, de pronto, o exímio chantagista, aproveitou a oportunidade para anunciar que, a partir de 2008, quando forem negociados os novos fundos comunitários, a Madeira pretende repensar o seu posicionamento no seio da União Europeia e reivindicar um “estatuto independente”. Quer ainda liderar uma “revolução cultural” e “transformar a Madeira numa Singapura”

Como é possível tanta falta de dignidade, ao colaborar nesta farsa, de um político que se esquece que é, sobretudo, o primeiro ministro de Portugal . Tem a consciência de estar a dizer a um petulante vaidoso aquilo que ele quer ouvir. Pretende servir-se dele, da arrogância prepotente com que se impõe ao eleitorado do seu Feudo que não ousa contrariá-lo.
Durão Barroso investe na empresa de Alberto João para colher falsos dividendos, os votos, com que pretende negociar o governo do país.
Alberto João, numa das anteriores visitas do actual ministro à Madeira, mandou tocar o hino da sua independência, com Barroso perfilado à sua esquerda ( note bem, à sua esquerda!)
Jardim, palavroso ,insulta tudo e todos, a começar pela Assembleia da República : "esses gajos do Continente” diz ele, vezes sem conta. Ameaça não acatar as leis que, entende, lhe coarctam a sua liberdade absoluta. Tem desafiado o governo da República a : “deixar-me” (...) Ele é rei e senhor absoluto daquele espaço. Ninguém se atreve a derrubar-lhe a coroa que, ridiculamente, o simboliza nos Carnavais - O REI MOMO.


A FESTA NO CHÃO DA LAGOA
O protagonista, o grande actor destas palhaçadas, que faz gáudio das suas tiradas insultuosas, continua num crescendo de provocações, sem o mínimo pudor na linguagem, contra quem possa ter autoridade para lhe suster o avanço desenfreado das suas ousadias com o privilégio da impunidade, para não dizer, da inimputabilidade de que ,normalmente, gozam, em juizo, os débeis mentais.
É um constante desafio ao Governo Central, à Assembleia da República e ao "Continente" de quem, ccnstantemente, ameaça se demarcar, em definitivo.
Ainda agora, na "Festa Laranja no Chão da Lagoa" Alberto João voltou a pedir a demissão do primeiro ministro que acusou de pôr um "garrote económico" à Madeira. "Ou nos vemos livres do senhor José Sócrates... "
E as baboseiras culminam com todos em sintonia, com Jardim a avisar: " A luta vai continuar" .
E, no final, entoaram o hino separatista : " Madeira é livre/ e livre será, cobiça tão linda/ no mundo não há" ...
Será de suportar tamanho desrespeito de quem faz tudo o que lhe apetece, não prestando contas do dinheiro que daqui vai, endividando-se, sem a mínima contenção.
Eu, como português, escrupoloso cumpridor dos meus deveres contributivos, protesto !
E, como declarou Vital Moreira : "Para a Madeira, nem mais um tostão ! "

sexta-feira, junho 30, 2006

A HONRA A QUEM É DEVIDA

Armando Marques

O nosso Município, todos os anos, no dia consagrado à celebração da ascendência da Póvoa à categoria de cidade, sempre, em actos solenes, tem prestado justa homenagem a quem, por algum modo relevante, haja notoriamente revelado um notável afecto a esta sua terra de nascimento ou de eleição.
Entre os enaltecidos, este ano, merece-me especial congratulação o velho amigo Manuel Silva Pereira. Pelo seu apego altruísta à nobre missão da Misericórdia, ele é incontestável merecedor do galardão recebido: “Medalha de Cidadão Poveiro - grau prata”.
Ao registar aqui a minha satisfação pelo acto que honra este meu amigo, ocorre-me mencionar, como igualmente digno de ser nomeado publicamente, outro a quem muito estimo pelo seu carácter; poveiro íntegro, alheio a partidarismos quando é à Póvoa que ele se dedica inteiramente. De longe, no tempo, eu venho observando o seu esforço meritório em prol da terra onde se sente orgulhoso de ter nascido: Poveiro de gema , segundo a sua própria expressão.
Tem sido mais de bastidores do que de cena a sua acção. Por isso, não tem aparecido, com a merecida frequência, à ribalta, no magno palco da nossa cidade.
Como responsável, pelos Serviços de Turismo, exerceu a sua actividade com inexcedível profissionalismo. O coração sempre lhe estimulou a mente para a acção. O dever sempre lhe foi imposto pelo arreigado amor à terra de seu berço.
A eficácia de muitos eventos se deve à sua capacidade organizativa. Com o constante objectivo da promoção da Póvoa, sempre prestou, com o maior empenho, a sua colaboração às entidades que aos Serviços da sua responsabilidade recorriam.

Vem a propósito, nesta altura das “festas da cidade”, dizer de como, o meu dilecto amigo às mesmas, está reconhecidamente associado:
Ele foi o colaborador destas festividades, consagradas a S.Pedro, desde a primeira iniciativa municipal, em 1962, tendo sido o apresentador do primeiro cortejo do mar, cooperando com a “Comissão de Iniciativa”, então constituída através dos Serviços de Turismo de que era responsável. E, desde então, empenhou-se na continuidade das respectivas organizações, escolhendo os colaboradores para o trabalho em equipa, até à sua aposentação em 1987.
É óbvio que se trata, exactamente, do Armando Marques, a quem, há dois anos , no jantar de aniversário do Rancho Poveiro, na Estalagem de S.Felix, foi concedida a salva de prata da Câmara , com a legenda de gratidão e brasão da cidade, em dourado e, ainda, o distintivo de ouro do Rancho ( um par dançante) pelo Dr. Macedo Vieira, comemorando 50 anos de sua ligação funcional e afectiva àquele Grupo Folclórico.
Que esta minha modesta, mas sincera, homenagem ao Armando tenha a repercussão com o objectivo que, se advinha, eu pretendo.

Dimas Maio ( dimasmaio@netcabo.pt )

domingo, junho 18, 2006

Sinto-me verdadeiramente empolgado na leitura das obras de Luísa Dacosta. Seus textos são autêntica prosa poética São metáforas de luz e som; arte de pintura e de harmonia musical.
Isabel A. Ferreira diz no seu Preâmbulo do livro “Luísa da Costa - no sonho, a liberdade” : (...) Foi a partir de então que comecei a render-me à força da narrativa de Luísa, límpida e ausente de lugares-comuns e parti para a descoberta daquela que escreve como quem faz renda, arrancando da palavra/bilro novas sonâncias encantatórias, que em nós ficam ecoando como vozes longínquas. Escrita/ pintura feita de palavras de água púrpura, rósea, anil, violeta que transforma os textos em recriadas aguarelas, e molda paisagens, seres, emoções e sentimentos...
“NA ÁGUA DO TEMPO – DIÁRIO” é um pouco da sua biografia, coligida de notas, de seus papeis arrumados pelas gavetas. Anotou, como por acaso , alguns factos que, por algum modo, entendeu dever registar. São coloridas peças literárias . A partir do ano 1948 até 1987 fala de suas numerosas viagens e estadas, casas onde morou, e A VER-O-MAR é uma das suas mais vincadas referências.
Para confirmar a riqueza metafórica da sua prosa poética, apenas uns pequenos excertos do prefácio que Luísa Dacosta, ele própria escreve:
Na água do tempo, um olhar naufragado. Nos limos das profundezas, que guardou da poeira dos dias ? Pouco... e ansiava a Luz. Nada tinha ficado do peso insuportável da desolação. Nada da gota, breve, da alegria (...)
(...)
O que era o amanhecer, lunar , das colinas do seio comparado às profundidades, nocturnas, do que estava para além dos sentidos: as dormências do que não sabemos pelo olhar e pela metáfora e são tumultuar obscuro? E depois, como decidir, era a sede dela que ele bebia, ou a sua própria sede que acalmava e procurava estancar ? O “outro” existe realmente ou somos ainda nós ? Ah! Tão apetecido corpo e tão talhada alma ! Noutras casas, depois noutros andares, que lhe mostrava o seu espelho interior ? (...) - Luísa Dacosta refere-se, muitas vezes, em e a terceira pessoa. Como que exista outro ente em seu próprio corpo.

quarta-feira, junho 07, 2006

Durante algum tempo, nada tenho publicado neste meu blog para que fique bem patente a intenção de prestar a minha homenagem à insigne escritora Luísa Dacosta.
Com pesar, constato falta de apoio à minha sugestão para que se cumpra um dever de gratidão que a freguesia tem ignorado, sem culpa, em virtude da cerrada incultura dos que têm sido seus responsáveis.
Alguém, que julguei mais informado, a quem tentei recorrer, não o sabia de tão desproporcionada importância que não merecesse eu, pobre de mim, uma diminuta atenção , já que o objecto da minha proposta lhe deveria ser particularmente grato.
E o que eu pretendia, para honra desta terra , agora titulada de vila, era, tão-somente, o topónimo “Luísa Dacosta” para a avenida marginal que abeira o que foi o seu moinho, berço privilegiado das suas criações literárias e de que ela revela, doridamente, no seu “Adeus!” o grande desgosto de o abandonar .
Em outro meu blog , “Flores de Maio”, que pretendo reservar à arte literária, tentarei prestar o meu modesto tributo à autora de preciosos textos que, justo, mereceriam uma maior divulgação e, aqui, em A ver-o-Mar poder constatar-se a honra do prestamento público de sua homenagem.